Uma perfeição de mãe

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Eles têm tido dificuldades com a escola.

O Miguel chora desalmadamente no momento de lá ficar, embora me contem que a crise dura 30 segundos depois de eu sair.

Quando não chora diz que ‘nã quéia bebés’ (porque ele é um adulto, como todos sabemos…).

O Martim chora em alguma altura do dia. Diz que tem saudades da mãe.

De manhã pede-me ‘não me leves para a escola, por favor’.

Explico aos dois que as férias terminaram para toda a gente. Que eu e o pai precisamos de ir trabalhar e que eles precisam de regressar à escola.

Explico que também é difícil para mim, que também eu queria mais tempo com eles, como tivemos durante as férias.

Enquanto lhes explico, explico-me.

Porque não é mentira quando digo que também é difícil para mim.

É nessas alturas que os diálogos como o que se segue me aquecem mais o coração.

À noite, conversando com o Martim, digo-lhe que só mais para o fim do ano voltarei a ter férias. E que, mesmo nessa altura talvez precise de trabalhar em casa, no meu outro trabalho, que não é o do escritório.

Ele pergunta porquê, que vou eu fazer e explico-lhe que quero ajudar mamãs e papás a conversar com os filhos como nós conversamos os dois.

Pergunto-lhe se ele acha que eu sou capaz de fazer isso.

E ele responde as palavras que me dão vontade de tatuar algures, para nunca me esquecer delas, mesmo nos dias mais difíceis: «Tu és perfeita, mamã».

Sei que não sou.

Sei que tudo o que posso ser é única, perfeita jamais. Nem como mãe, nem como nada.

Mas quando ele o diz assim, acreditando que é verdade eu vou e acredito também. Só por um momento.

Só enquanto nos abraçamos no escurinho e nos deixamos adormecer…

***

A vocês, mães que me lêem, quero dizer-vos:

Tu és perfeita, mamã.

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