Voltar onde fomos felizes

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Começo por contar um segredo: o Mário não segue o blog. 

Existe um motivo para isso mas fica, talvez, para uma outra história.

Hoje em particular, o facto do meu marido não ter a mais pálida ideia daquilo que faço com uma parte cada vez mais substancial do meu tempo (sorte a dele ser tempo e não dinheiro…), possibilita-me surpreendê-lo. Por isso vá, cooperem e não lhe contem nada do que vão ler…

 

Em 2012 fizemos a nossa primeira viagem juntos. Fomos a Roma e foi indescritível.

Sabem aqueles imprevistos chatos que acontecem em todas as viagens? Não tivemos nenhum.

Estávamos no início de Junho mas pelo tempo parecia pleno Verão.

Comemos gelados todos os dias.

Fizemos a cidade a pé e não demos por isso até o escaldão ser evidente no meu peito e ombros e até os pés se recusarem a andar mais.

Estávamos a cinco minutos a pé do Coliseu, onde também fomos todos os dias. De dia. De noite. Sempre que nos apeteceu. E de todas as vezes suspendemos a respiração ao primeiro vislumbre daquele colosso com mais de 1900 anos.

Tirámos toneladas de fotografias (obviamente!).

Um homem disse que o Mário era o mais bonito dos monumentos que ali estava (foi de uma lata sem precedentes mas soou bonito, em italiano…).

Vimos chineses agachados atrás de moitas a tentar fotografar não sei bem o quê e não sei bem em que ângulo;

Uma noiva linda de morrer a tirar fotos na rua;

E uma farmacêutica que parecia não ter nada por baixo da bata de serviço;

Não vimos o Papa;

Falámos com várias pessoas, em várias línguas;

O Mário foi tomado por brasileiro e eu… por coisa nenhuma.

Aprendemos que o inglês, em particular, é relativamente inútil quando usado com grande parte dos italianos;

E que a condução deles é mais louca do que a de qualquer taxista lisboeta.

Fiz 28 anos na Fontana di Trevi.

Recebi de presente uma aliança de namoro que só voltaria a tirar do dedo para a substituir por um anel de noivado.

Fomos incrivelmente felizes naqueles quatro dias que voaram por nós.

E desde aí que queremos muito, mas temos medo de voltar. Porque pode não ser tão bom. Porque um daqueles tais imprevistos pode, afinal, acontecer. Porque foi perfeito e, por isso, a fasquia está muito, muito elevada.

Hoje é o dia em que perdemos o medo, embora ele ainda não saiba.

Porque o medo não faz sentido.

O medo paralisa e impede-nos de criar novas memórias, igualmente felizes, mais ainda, talvez.

E por falar em memórias, pessoalmente, quero reproduzir esta, cinco anos depois:

Ele não completará os seus 36 anos na Fontana di Trevi e de certeza não apanharemos escaldões.

Mas é preciso voltar. Só isso faz sentido.

Voltar onde fomos felizes.

 

 

Vamos?

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