Ir aos saldos não é para todos (mas hoje foi para mim)

Foi a conclusão a que cheguei ao fim de uma manhã de saldos.

Fui ‘linda, livre, leve e solta’. À procura de coisa nenhuma, sem orçamento e com o horário de somente a minha fome para almoçar.

As lojas ainda não tinham aberto e já havia fila à porta da Pandora. Quando abriu foi uma azáfama de gente a tirar senha e a entrar. Entrei também para ver o porquê de todo o lufa lufa.

Lá dentro um homem já estava desesperado ao telefone “isto aqui tem milhares de coisas! Existe um catálogo!”

Claramente aquela pessoa foi enviada numa missão para a qual não estava preparada. E pouco passava ainda das 10h…

Ao longo da manhã vi muitas coisas numa experiência ao estilo BBC Vida Selvagem.

Bandos de adolescentes em busca do outfit perfeito para a noite de fim de ano (desculpem a referência desactualizada a um evento que já aconteceu, mas o ‘hoje’ a que o post se refere, é o dia 29, no qual foi escrito).

Grupos de amigas a separarem-se, cada uma para sua loja, com a promessa de que chamariam de imediato se vissem alguma coisa irrecusável.

Homens sozinhos encostados a postes e corrimões, aguardando suas parelhas, secretamente solidários uns com os outros e desertos por debandar, sem pechinchas nem parelha.

Pessoas desavisadas com uma ou mais crianças descabelavam-se: não conseguiam ver nada, experimentar nada, perguntar nada. Só atender às corridas, pedidos, necessidades dos miúdos.

Na Primark uma pré-adolescente contemplava umas pantufas unicórnio: ‘oh mãããeee, anda cá ver uma coooisaaaa’ (não fiquei para seguir a história, mas é a mais velha do universo, já vivida por todos nós pelo menos uma vez e, como tal, todos nós sabemos que aquela moça não teve sorte).

Na Mango, uma mulher de mãos juntas como quem reza aguardava ansiosamente pela resposta da lojista sobre um artigo aparentemente muito desejado: ‘vá lá… Prometo não chorar, como em Setúbal’, dizia ela, visivelmente inpreparada para cumprir o prometido.

Na Pull n’ Bear a fila chegava até à porta e ninguém nela parecia muito entusiasmado com a compra que estava prestes a fazer.

É… Os saldos não são para todos. Os saldos não são, designadamente:

1. Para quem não sabe ao que vai;

2. Para quem tem pressa;

3. Para quem está com crianças (desculpem, não é mesmo, eles têm a sua própria agenda e geralmente não coincide com a nossa);

4. Para quem vai demasiado focado em determinada peça;

5. Para quem, no geral, odeia ir às compras.

A boa notícia é que para todas essas pessoas existem os milagres da Internet. E um deles é o que me salva em todos os 364 dias do ano nos quais, ao contrário de hoje, não estou zen, não tenho disponibilidade e não estou por minha conta: compras online.

Mas falamos sobre isso noutra altura…

Bom 2018 a tod@s!