Mariana, Maria, Mafalda – A Mariana

Reparei, sentada no espaço da Mariana e enquanto apreciava o quanto é extraordinária, que a minha vida tem muito mais M’s do que aqueles com quem vivo. M’s no feminino. Todas me trazem nada mais do que bem-estar e felicidade e não são as mulheres mais evidentes – mãe, irmãs, amigas – que nos vêem à cabeça quando pensamos nisso. Não sei se elas o saberão e, como tal, nesta semana que antecede o Natal, quero agradecer-lhes.

A Mariana

A Mariana é cabeleireira e maquilhadora e tem um salão na Costa de Caparica.

Quando me casei com o Mário, casei-me também com a Mariana e nunca mais a deixei.

Explico. Quando comecei à procura de tudo o que se procura quando se planeia um casamento – e eu planeei o nosso sozinha – houve algo que sempre soube: quem trataria do meu cabelo e maquilhagem no grande dia.

Não. Eu não conhecia a Mariana, mas uma das minhas melhores e mais antigas amigas é, também, uma amiga comum e o seu próprio casamento foi a montra perfeita para os serviços da Mariana.

Estava decidido antes mesmo de eu ter que decidir.

A Mariana não é só uma profissional admirável. A Mariana é uma mulher admirável. Trabalha por paixão e não foge das dificuldades.

A Mariana também é mãe de um menino maravilhoso. Mas, trabalhando por conta própria, não pôde gozar uma licença de maternidade como as trabalhadoras por conta de outrém.

Descobri que queria escrever sobre ela quando, há uns dias, cheguei na hora marcada e encontrei-a à porta do salão, a despedir-se do filho.

“Vá amor, vai para casa com o papá, a mamã tem que ir trabalhar.”

Nesse momento, a Mariana deixou de ser só ela e diante dos meus olhos vi todas as mães que, como ela, abdicam de tempo precioso com os seus filhos para trabalhar, para construir algo de que se orgulhem também enquanto pessoas.

Às demais não posso oferecer grande consolo, mas à Mariana, que me atende sempre com um sorriso e tem possivelmente o único salão do Mundo com a TV ligada na VH1, renunciando ao flagelo dos programas matinais e pós jornal das 13h, posso agradecer.

Posso dizer-lhe três coisas. 1. És fantástica no que fazes; 2. Não há cliente difícil que não consigas satisfazer; e 3. Tornas sempre o meu dia (e a minha auto-estima) um pouco melhor.

Os teus sacrifícios valem a pena. Obrigada.

(Se quiserem conhecer um pouco mais do que aquelas mãozinhas são capazes – a resposta é ‘tudo’ já agora – podem entrar em contacto com ela através do facebook ou do instagram).