“Mãe que é mãe” – Ode às mães perfeitas

Mãe,

Tu que vives cansada,

Olheirenta,

Que te culpas pelo tempo que passas no trabalho,

E pela má gestão que fazes dele,

Que não te lembras da última vez que entraste num cabeleireiro:

Tu és perfeita.

Mãe,

Tu que és descolada e carregas três meninos e dois sacos de compras em saltos altos,

Que preferes acordar de madrugada do que sair de casa sem maquilhagem,

Tu que adormeces com a culpa de que talvez ‘penses demais em ti’:

Tu és perfeita.

Mãe,

Tu que reclamas cooperação do pai,

Mas não deixas que ele te substitua em nada porque, afinal ‘ele não sabe tão bem’,

Que assumes os dias, as noites, os banhos, as refeições, o veste e despe, o transporte para cá e para lá,

Tu que carregas a culpa de sempre ser quem faz por eles e nunca quem faz com eles,

Tu és perfeita.

Mães,

Tu que saíste ontem à noite com as amigas e te sentiste culpada;

E tu, que perdeste a paciência pela manhã e te sentiste culpada;

Tu que os mantiveste entretidos com o tablet para apreciar um pouco de silêncio e te sentiste culpada;

E também tu que te compraste uns sapatos novos em vez do brinquedo que eles pediram e te sentiste culpada:

Perfeita. Perfeita. Perfeita. Perfeita.

Todas perfeitas.

“Mãe que é mãe” faz uma coisa só: o melhor que pode.

E o melhor que pode é perfeito.

Sabem o que não é perfeito? A culpa.

A ela podem mandá-la embora.

***

Costumava pensar que odiava mães perfeitas, desde logo, porque não existiam. Porque a fasquia que nos impunham era inatingível. Depois descobri que somos nós que criamos essa fasquia. Que quem não existe é ela. E que perfeitas…

Perfeitas somos todas.