‘Mais linda do que nunca’

Ontem contei-vos sobre a reacção dos meninos, sobretudo do Miguel, ao nosso regresso de viagem.

Relatei-a numa perspectiva de mãe ansiosa, receosa e semi-culpada, como terão reparado, preocupada com os efeitos da sua ausência, por motivos exclusivos de lazer, sobre a vida dos seus filhos…

O texto tomou um rumo diferente do que inicialmente tinha pensado para ele e acabei por não mencionar o antídoto que o Martim me deu para estes sentimentos que me envenenavam a alma.

Sim, ele está agora bastante acostumado com a ideia de passar alguns dias sem os pais. Sim, para ele, também são férias e vive sem ‘rei nem roque’ em várias casas onde todos se esforçam para lhe agradar. Sim, ele fica ainda – obviamente – com saudades, mas lida bem com elas e guarda todas as informações que nos quer passar, porque aquela cabecinha é melhor que qualquer computador, e vai-nos brindando com os detalhes das suas várias estadias em casa da tia, da avó paterna e depois dos avós maternos ao longo de vários dias.

Mas o que mais me deliciou nele foi quando reclamei um beijo, no meio de toda aquela euforia de mostrar brincadeiras que tinha feito, no fim de toda aquela correria para levar e trazer coisas que quer exibir e ele gritou ‘ah! tinha-me esquecido!’ de outra divisão da casa dos meus pais.

Veio, novamente a correr e aos pulinhos, até mim, abraçou-me muito e deu-me beijinhos.

Depois parou, olhou para mim fixamente com aqueles dois olhos enormes e disse-me: ‘estás tão bonita mamã’.

Agradeci-lhe e enquanto lhe dizia como ele ficava também mais bonito a cada dia que passava ele completou o seu pensamento: ‘estás mais linda do que nunca!’

O Martim é sempre o primeiro a reparar quando pinto as unhas, quando uso uma roupa nova, quando corto o cabelo, quando uso um batom com uma cor mais forte. O Martim é sempre o primeiro a elogiar-me nessas ocasiões. ‘Uau, estás gira!’, é algo que sai da boca dele com naturalidade e também diz quando não gosta de alguma coisa. O Martim é tão observador e opinativo que, às tantas, dou comigo a perguntar a opinião dele em questões estéticas e a tomá-la por boa…

[true story: um dia comprei um macacão ao preço da banana num leilão no Facebook. Depois de me ser enviado, experimentei-o e quando perguntei ao meu marido o que achava o Martim comentou ‘que pijama tão giro, mamã’. Até hoje não o vesti. Uma. Única. Vez.]

Por isso, aquela frase dita a uma mãe com um ar exausto depois de 9h30 de voo nocturno e de ter, no dia anterior, chorado baba e ranho por deixar uma cidade que foi tão boa para mim convenceu-me que, de facto, a felicidade só pode ser algo visível a olho nú.

Pelo menos ao dele.

E como lhe agradeço por isso.

Fevereiro é para…

Pular Carnaval

Beber água de côco

Comer biscoito Globo em Copacana

Desfilar na Sapucaí

Gritando a nação tijucana

Subir no morro

Descer no bondinho

Pedir a bença pro Cristo

Amar no jardim botânico

Se aventurar no Telégrafo

E ser boémio na Lapa

Trazer o Rio no corpo

e para sempre no coração.

***

Sonho de menina esse, de ir cariocar. Fevereiro é para cumprir.

O bem multiplica-se – o abraço

 

Hoje recebi um abraço tão genuíno e inesperado que a minha disposição mudou por completo.

***

O meu dia começou péssimo.

Desde logo porque começou ontem.

O Miguel dormiu mal e choramingou de hora a hora.

Alternou com o Martim que foi chamando para ir à casa de banho, para o ir ‘tapar bem’, para o ir tirar da cama porque às 6h30 já tinha dormido o suficiente.

Claro está que não tinha. Nem ele… nem eu.

O que complicou substancialmente a nossa manhã. Houve birras, lágrimas, soluços, dores de cabeça, uma falta monumental de paciência e toda aquela amálgama de coisas sobre as quais já escrevi tanto que quase já não tenho contexto para linkar todos os posts que fiz a propósito (por isso que se lixe o contexto, podem ‘apanhar o fio à meada’ aqui, aqui e aqui).

Mas depois veio aquele abraço, tão espontâneo, despoletado por um gesto meu que qualquer um consideraria uma patetice.

Olhando as coisas com frieza, é tão fácil distribuir bem-estar. O bem não tem que ter a forma de doações regulares à Unicef ou participações assíduas nas campanhas do Banco Alimentar.

O bem não tem que assumir o porte dos grandes gestos, como adoptar uma criança ou saldar todas as dívidas dos nossos pais.

Não me interpretem mal, todo esse bem é BEM. Só quero dizer que há bem ao nosso alcance por todo o lado. No detalhe das coisas que, de tão corriqueiras, já não vemos.

Nas vezes em que mostrámos o caminho a alguém em vez de apenas o indicarmos. Nas ocasiões em que deixamos passar alguém à frente na fila por puro bom senso e não porque a lei obriga. Nas alturas em que nos oferecemos para carregar metade dos sacos de alguém visivelmente aflito com o peso.

Pequenas coisas.

A minha patetice de hoje fez com que alguém se sentisse apreciado. O abraço com que fui retribuída pode bem ter salvo a minha segunda-feira.

Se abrirmos os olhos ele está lá, por todo o lado, para o fazermos, quase sem esforço, e é justamente aquele que nos sabe melhor.

O bem multiplica-se.

 

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“Mãe que é mãe” – Ode às mães perfeitas

Mãe,

Tu que vives cansada,

Olheirenta,

Que te culpas pelo tempo que passas no trabalho,

E pela má gestão que fazes dele,

Que não te lembras da última vez que entraste num cabeleireiro:

Tu és perfeita.

Mãe,

Tu que és descolada e carregas três meninos e dois sacos de compras em saltos altos,

Que preferes acordar de madrugada do que sair de casa sem maquilhagem,

Tu que adormeces com a culpa de que talvez ‘penses demais em ti’:

Tu és perfeita.

Mãe,

Tu que reclamas cooperação do pai,

Mas não deixas que ele te substitua em nada porque, afinal ‘ele não sabe tão bem’,

Que assumes os dias, as noites, os banhos, as refeições, o veste e despe, o transporte para cá e para lá,

Tu que carregas a culpa de sempre ser quem faz por eles e nunca quem faz com eles,

Tu és perfeita.

Mães,

Tu que saíste ontem à noite com as amigas e te sentiste culpada;

E tu, que perdeste a paciência pela manhã e te sentiste culpada;

Tu que os mantiveste entretidos com o tablet para apreciar um pouco de silêncio e te sentiste culpada;

E também tu que te compraste uns sapatos novos em vez do brinquedo que eles pediram e te sentiste culpada:

Perfeita. Perfeita. Perfeita. Perfeita.

Todas perfeitas.

“Mãe que é mãe” faz uma coisa só: o melhor que pode.

E o melhor que pode é perfeito.

Sabem o que não é perfeito? A culpa.

A ela podem mandá-la embora.

***

Costumava pensar que odiava mães perfeitas, desde logo, porque não existiam. Porque a fasquia que nos impunham era inatingível. Depois descobri que somos nós que criamos essa fasquia. Que quem não existe é ela. E que perfeitas…

Perfeitas somos todas.

Ginásio, mamãs? Sim, claro! Mas talvez não por ESSE motivo.

Levante a mão quem integra aquele grupo de clientes perfeitos do ginásio que nunca, nunca, nunca lá põe os pés!

Aposto que consigo adivinhar como isso aconteceu: terminou o Verão ou as festas de final de ano ou nasceu a coisinha mais linda do vosso mundo e a balança deu um grito (ou vários). Chega! Segunda-feira (é sempre segunda-feira…) começa a dieta! E o ginásio! E cá vai de procurar condições ou aderir aquela campanha que aparece, majestosa e providencial, naquelas alturas chave e que nos promete maravilhas ao preço da chuva.

O primeiro mês é maravilhoso! Frequência diária, energia inesgotável! Tirando naquele dia em que houve almoço da empresa/o bebé ficou doente/a amiga terminou o casamento… Bom, excepções. No segundo mês as excepções aconteceram com um pouco mais de frequência e entretanto a porcaria da balança vai parecendo nunca se calar, sempre ali, mal humorada, aos gritos, aos gritos. E há tanta coisa para fazer e uma pessoa esforça-se e os resultados não aparecem, apesar de só se comerem folhas de alface e de se frequentar toda a santa aula do extenso cardápio que qualquer ginásio tem para oferecer. No terceiro mês é um ‘que se lixe’ em toda a extensão. Sou gorda vou morrer gorda e dá cá esse chocolate que eu não vejo disso há demasiado tempo… E não! Não tenciono partilhar!

A ordem natural das coisas vai-se restabelecendo. O açúcar reconforta o cérebro e até parece que o nosso batimento cardíaco desacelera. A vida é um paraíso, por um momento… Mas aquela malvada daquela balança continua lá a gritar… Não faz mal, para a semana voltamos ao ginásio. Entretanto passaram seis meses e a única parte de vós que foi para o ginásio foi aquela, por sinal já bem magrinha, que habita na conta bancária…

Se calhar… Se calhar está na altura de parar e aceitar a realidade: quem faz isto não gosta de ir ao ginásio. E não me ocorre uma única razão no Mundo para que deva sentir-se obrigada a fazê-lo.

‘Ah e tal, mas eu já vi por aí que tu vais ao ginásio’, dir-me-ão. Verdade.

Desde os três anos que me habituei a praticar algum tipo de exercício físico. Fiz de tudo um pouco: natação, ginástica rítmica, equitação, karaté, aeróbica, danças brasileiras, zumba e mais recentemente frequentei toda a miríade de aulas que a maior parte dos ginásios disponibilizam – menos spinning (como eu odeio spinning!). Acostumei-me a estar activa e faz-me alguma confusão ‘estar parada’ durante muito tempo.

Mas o que é estar parada? Dar uma caminhada matinal com os miúdos ou os animais de estimação é estar parada? Não abdicar de pegar na bicicleta e ir dar uma volta algumas vezes por semana é estar parada? Fazer os seus percursos diários essencialmente a pé e utilizar o carro só em caso de excepção é estar parada? Claro que não! Actividade física não tem que equivaler a ginásio. E a actividade física que nos faz bem – sei-o hoje – é aquela de que gostamos, aquela que fazemos não porque tem que ser, mas porque somos um pouco menos nós se no-la tiram. E essa é a actividade física certa. Tudo o resto… É ruído e dinheiro ao lixo. E não… Fazer algo que odiamos de morte só para parar de ouvir os gritos da balança não vai fazer com que ela se cale. Sabem o que vai fazê-la calar-se? Deitarem-na fora (se não de facto, pelo menos metaforicamente).

A única medida de que precisam é-vos dada pelo vosso nível de bem-estar. E se calhar até não é a balança que incomoda… Se calhar é o marido que não pára de vos chamar, ainda que carinhosamente, de ‘minha gordinha’. Se calhar é aquela censura velada da tia, que sempre que vos vê pergunta que dieta estão a fazer ‘agora’ enquanto olha de alto a baixo em jeito de ‘não está a funcionar, só para que saibas’. Se calhar o trabalho está tão stressante que comer parece a única alegria na Terra. E se calhar… Se calhar são essas as coisas que precisam de ser resolvidas.

Não me interpretem mal, exercício físico é tudo de bom e adoro ir ao ginásio, até porque encontrei a melhor PT do Universo, com quem tenho a maior das empatias e que me faz apreciar cada treino e cada pequena evolução. Mas é esse mesmo o ponto: eu adoro ir ao ginásio. E claro que seria simpático terminar de perder o peso que eu sei que anda aqui a mais, mas por ‘pequena evolução’ o que quero dizer é um pouco mais de resistência, mais alguns metros em menos tempo, mais algum peso na barra, umas quantas flexões sem joelhos no chão… Desafios superados.

São essa empatia e essas pequenas evoluções que me fazem sentir bem comigo mesma. A balança tornou-se um acessório que uso de tempos a tempos para me manter informada e nada mais do que isso. Não me diz que sou perfeita, seguramente. Mas sabem que mais? Também não me diz que não sou.

E quem é ela para opinar, de qualquer maneira? Até lhe fazia bem um chá, para lhe acalmar tanto mau humor…

 

Em modo avião – a gestão do tempo e o que fica para trás

Estar em ‘modo avião’ significa, na sua forma pura, pegar nos nossos queridos dispositivos móveis e calá-los. Calar-lhes o som, o wi-fi, os dados, as mensagens e qualquer conexão com o Mundo. Transformá-los em pequenas televisões interactivas que dão as horas, no fundo…

Chamam-lhe ‘modo avião’ porque é o único local onde nos é pedido que o calemos assim: no avião.

Mas o modo avião, seja neste sentido mais fiel à origem, seja num sentido mais figurado, é útil e digno de reflexão…

Há pouco mais de uma semana o Mário fez uso de um vale retirado de um caderninho que lhe ofereci num Dia dos Namorados e que nos proibia, durante uma semana, de mexer nos telemóveis, mal nos deitássemos.

Durante essa semana, sem telemóveis, reparei nos dias que se passavam antes sem quase olharmos um para o outro, conversarmos um com o outro ou o que quer que seja um com o outro.

Vamos acreditando que não. Que é cansaço, que os dias são curtos, que os miúdos nos dão imenso trabalho. E tudo isso é verdade.

Mas o facto é que, com tudo isso, eu consigo escrever neste espaço, gastar tempo à procura de fotos para ilustrar os artigos, mais tempo a escrever e a aperfeiçoar os textos e muito, muito tempo à volta de questões técnicas que ignoro e abomino, porque adoro o meu blog…

O facto é que, com tudo isso, eu sacrifico três horas de almoço por semana para ir ao ginásio, porque adoro treinar.

O facto é que, com tudo isso, ainda acompanho o This is Us, mesmo que nunca tenha conseguido ver um episódio em tempo real, e alguns dos meus canais de youtube favoritos, ainda que seja enquanto trato da roupa ou qualquer outra tarefa, porque a série me causa arrepios e os ditos canais gargalhadas e introspecções.

Ou seja, com tudo isso, ainda há (ou se força) tempo para as coisas do dia-a-dia que nos dão prazer.

Porque é que num mundo em que cabem crianças e blog e ginásio e séries, não haveria também lugar – todos os dias e não só quando fazemos programas a dois – para aquele sobre quem encho o peito para dizer que é o amor da minha vida? Faz pouco sentido…

Tão pouco sentido que o vale, entretanto, expirou.

Mas o ‘modo avião’… esse veio para ficar.

Mariana, Maria, Mafalda – A Mafalda

Reparei, sentada no espaço da Mariana (de quem vos falei anteontem aqui) e enquanto apreciava o quanto é extraordinária, que a minha vida tem muito mais M’s do que aqueles com quem vivo. M’s no feminino. Todas me trazem nada mais do que bem-estar e felicidade e não são as mulheres mais evidentes – mãe, irmãs, amigas – que nos vêem à cabeça quando pensamos nisso. Não sei se elas o saberão e, como tal, nesta semana que antecede o Natal, quero agradecer-lhes. Termino este set de histórias com a da Mafalda.

A Mafalda

A Mafalda foi um vendaval na minha vida. Este ano, com 33 anos, finalmente percebi-me, compreendi-me, perdoei-me, sarei as feridas que tinha comigo, segui em frente. A Mafalda ajudou-me a fazê-lo.

Não é preciso conhecer-me há muito tempo para já me ter visto com qualquer peso entre os 60kg e os 86kg. A facilidade com que ganho e perco peso, para o bem e para o mal, sempre me acompanhou. Os meus problemas de imagem e auto-estima, claro está, também. Sempre fui estupidamente bem sucedida com qualquer dieta com que me comprometesse e estupidamente mal sucedida a manter os estrondosos resultados que sempre consegui atingir.

Certo dia o facebook sugeriu-me a Mafalda e eu comecei a segui-la. Muitos de vós provavelmente conhecê-la-ão pelo seu trabalho como actriz em Portugal e com o nome Mafalda Pinto. Hoje a Mafalda adoptou o nome de casada, Rodiles, vive no Rio de Janeiro (que inveja!), é mamã da Mel e, agora, do recém-nascido Martim (também ela vive rodeada de M’s bons) e assumiu publicamente que não é mais actriz. O seu trabalho a tempo inteiro hoje é, justamente, ajudar mulheres como eu, a reencontrarem-se.

Depois de um pequeno workshop online resolvi dar um beijinho sentido ao meu dinheiro e dizer-lhe adeus. Comprei o curso dela ‘Seja feliz sem dietas’. Aqui para nós, e como ela já partilhou algumas vezes com as suas alunas, o curso deveria apenas chamar-se ‘Seja Feliz’. Comprei o curso a pensar que ia aprender sobre mudanças de hábitos alimentares, truques para alcançar o peso pretendido e rotinas para mantê-lo.

Foi tão mais. A Mafalda dá-se ao trabalho de conhecer profundamente cada uma das suas alunas, entender todo o seu background e curar a sua relação com a comida exactamente onde ela começou a correr mal. Exactamente onde começámos a castigar-nos, comendo, a compensar-nos, comendo, a distrair-nos, comendo, a descarregar os males da vida, comendo.

Aprendemos que, por muito que alcancemos aquele nosso ideal de corpo perfeito, nunca estaremos satisfeitos com ele porque o peso nunca foi o problema. Aprendemos a identificar os problemas e a resolvê-los lidando com eles da forma que eles devem ser tratados, em vez de os tapar com comida só para suportar mais um dia.

Acabo o ano uma pessoa muito diferente daquela que o iniciou. Não estou (ainda) no meu peso ideal. Continuo a esforçar-me para o alcançar, mas aprendi a respeitar o ritmo do meu corpo e a arte tão simples de comer quando tenho fome e parar quando estou satisfeita, algures perdida (por mim e por tantas outra mulheres) enquanto cresci.

O curso acabou há meses, mas ainda nos falamos. Gosto de saber dela e ela de mim. Trocamos ideias sobre muitas coisas e o pontapé de saída para o Entre M’s foi também uma das nossas conversas. Apesar de já lhe ter dito muitas vezes o quanto a minha postura perante a vida mudou por causa dela, não podia deixar que este ano terminasse sem assinalar devidamente esse facto.

Mafalda, o teu trabalho muda vidas. Mudou a minha. Sou (final e genuinamente) feliz comigo. Obrigada.

(se quiserem saber mais sobre o programa ‘Seja feliz sem dietas’ podem encontrar toda a informação no site ou entrar em contacto com a Mafalda pelo facebook).

 

Mariana, Maria, Mafalda – A Maria

Reparei, sentada no espaço da Mariana (de quem vos falei ontem aqui) e enquanto apreciava o quanto é extraordinária, que a minha vida tem muito mais M’s do que aqueles com quem vivo. M’s no feminino. Todas me trazem nada mais do que bem-estar e felicidade e não são as mulheres mais evidentes – mãe, irmãs, amigas – que nos vêem à cabeça quando pensamos nisso. Não sei se elas o saberão e, como tal, nesta semana que antecede o Natal, quero agradecer-lhes. Hoje é a vez da Maria.

A Maria.

Quem acompanha o Entre M’s sabe que este post já andava prometido há algum tempo. A Maria não é nenhuma novata no Entre M’s. Já a mencionei aqui e aqui.

Conheci-a quando decidi engravidar do Miguel. Vinha insatisfeita com a actividade física que tinha praticado na gravidez do Martim, muito por medo. Na consulta de planeamento e em resposta às minhas questões sobre exercício na gravidez fui aconselhada a manter o nível de exercício que praticasse há pelo menos três meses antes de engravidar para não ‘chocar’ o corpo.

Decidi, assim, que queria intensificar ao máximo o ritmo para poder, durante a gravidez, mantê-lo.

Comecei à procura de uma PT para me ajudar. Sim, uma. Queria uma mulher. Alguém que não tivesse cerimónias com as desculpas que eu viesse a tentar dar mas que pudesse também, de uma forma instintiva, colocar-se no meu lugar.

Conheci a Maria e a nossa empatia foi quase imediata. Percebi-lhe uma garra que a mim me faltava, uma enorme preocupação em perceber as minhas motivações e em desenhar um plano realista para chegar aos meus igualmente realistas objectivos. Nunca o ‘personal’ de ‘personal trainer’ fez tanto sentido.

Temos trabalhado juntas desde então. Às vezes treinamos juntas também. Ela faz-me ver o lado aventureiro da vida e eu partilho com ela o lado mais filosófico. Tem apenas menos cinco anos do que eu, mas estamos em lugares tão diferentes da vida que eu a vejo como uma super-atleta, super-mulher, suprasumo das suprasumos e ela me vê também como uma super… mamã.

Engravidei em menos tempo do que esperava e durante 38 semanas o Miguel  ‘treinou’ connosco (a prova disso está neste vídeo de mim enorme, no nosso último treino pré-parto). A Maria foi das primeiras pessoas a conhecer da existência do meu MigueLindo e ele tornou-se o seu ‘bebé fit’. Hoje, é também ela que me ajuda a regressar ao meu estado pré-Miguel (e embora a balança mo negue, eu sei e vejo que já o superei). Combinamos bem. Somos ambas ‘zen’. Apesar do nosso contacto ser bastante focado na tarefa que nos uniu, conto com ela como com uma amiga.

Os treinos, apesar de cuidadosamente programados podem ser alterados assim que ela me vê. ‘Hoje não me pareces muito bem, vamos fazer um treino mais leve’. Outras, praticamos pequenas metas – coisas que podem ser tão simples como entrar e sair de uma passadeira em movimento ou saltar para uma box (um pequeno trauma meu), mas que, uma vez conquistadas, me deixam com uma sensação de quase heroísmo muito satisfatória.

Mais importante que tudo isto, creio que nunca poderei agradecer-lhe o suficiente o gosto que plantou em mim pelos treinos. A hora de ir ao ginásio tornou-se terapêutica. A superação é constante e é um lugar que me ajuda a esvaziar a cabeça e a reorganizar as ideias.

O Mundo é um lugar melhor depois de um treino. Por muito que doa no corpo, a alma vem sempre mais leve.

Obrigada Maria, por me ajudares a parecer-me como me sinto e por me tirares as rugas de preocupação que te levo sempre do escritório.

(o facebook da Maria já está mais do que espalhado pelo blog, mas não custa relembrá-lo. Aqui fica novamente.)

OCR Wild Challenge Cascais – O Rescaldo

Em tempos escrevi sobre esta prova. Nessa ocasião, mencionei que me tinha inscrito por obra e graça da minha PT e que, para mim, seria mais ou menos o equivalente a pisar a lua.

Foi.

O que justifica que tenha precisado de deixar passar uns dias para escrever sobre ela (é que até agora os meus braços não respondiam muito bem às ordens do cérebro).

9h30. Chegada ao ponto de encontro. Percebi, ainda na qualidade de perfeitos desconhecidos uns dos outros, que tínhamos sido todos enganados da mesma maneira, pela mesma pessoa. Esmagadoramente estreantes nestas lides, havia alguma expectativa e ansiedade no ar, acompanhadas de uma boa dose de entusiasmo. Foram-se contando piadas, partilhando histórias e maldizendo a dita PT (só enquanto ela não chegou, claro).

11h30. Hora de partir. 10km. 40 obstáculos. Saltámos mais placas de madeira e estruturas metálicas do que consegui contar. Trepámos cordas, paredes de escalada, fomos amostras de american ninja warriors, chafurdámos na lama, carregámos sacos, troncos, pneus. Corremos. Subimos encostas tendo como única recompensa a vista de perder o fôlego que já tinha, de qualquer modo, ficado pelo caminho. Descemos trilhos aos tropeções e escorregões. Equilibrámo-nos em tábuas, em argolas, em nada às vezes (pelo menos parecia).

 

 

 

 

 

Foi duro. Foi… Wild.

Superámos muitos obstáculos. Outros levaram-nos a melhor. Ajudámo-nos. Rimos. Alguns de nós – leia-se ‘eu’, cof cof  – choraram também.

 

 

 

 

 

 

 

15h30. A preciosa meta. Exaustos. Sujos. Esfaimados.

Felizes. Muito felizes. Não necessariamente por ter terminado (ok, talvez um pouco), mas por termo-lo feito.

Tenho tantas marcas no corpo que neste momento já tenho um novo jogo para brincar com os meus filhos. Chama-se ‘nódoa negra ou tatuagem?’

Não sei o que os demais fizeram ao chegar a casa. Sei que a minha mente dormiu o sono dos justos, mas o corpinho teve que levantar-se quatro vezes durante a noite para atender a solicitações várias dos pequenos M’s.

A pior delas foi quando, às 6h40, o Martim gritou ‘Mamããããã! Anda cá!’

Arrastei-me, novamente, no meu modo atropelada por um camião TIR até ao quarto deles e perguntei ‘O que é?’ (o tom não foi, confesso, o mais amistoso).

‘Hoje ainda é Domingo?’

Chorei por dentro ao responder. Não, já não era Domingo. A minha mente adormecida e o meu corpo atropelado teriam que arranjar maneira de se arrastar até ao trabalho.

***

E agora gente boa, com licença, que eu vou só ali onde fomos felizes e já volto.

Bom fim-de-semana!