Ao cair do pano – sobre o fim-de-semana

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O primo dormiu cá em casa e é sempre uma azáfama que me faz questionar o meu plano mental de ter mais um filho (não sabiam? True story).

O Martim tem quatro anos e é o ser mais social que conheço. Quer toda a gente cá em casa e não perde a oportunidade de se impingir a casa alheia. Uma pessoa de pessoas. Mas acima de tudo é o fã número um do primo.

Foi uma rebaldaria na hora de dormir e igual rebaldaria ao acordar. Quais adolescentes, fizeram barulho, depois segredaram em risota, o Martim chamou 26 vezes (número aleatório mas seguramente próximo do real). Em suma, levaram mais hora e meia do que o costume a adormecer e menos hora e meia do que o costume a acordar. Isto, claro, como se não tivessem dormido, nem precisassem de o fazer… Acordaram o Miguel (de dez meses)- Acordaram-me a mim. Não acordaram o Mário porque é bicho que não acorda nem com o som do Apocalipse (ao que quer que o Apocalipse soe).

Mostrei-me muito aborrecida (não tanto quanto estava) e fui retirando um privilégio por cada nova insolência até sossegarem.

O dia passou. A noite chegou. Ao deitar o Martim iniciou o seguinte diálogo:

Martim: Mãe, eu ontem não conseguia dormir. Estava muito entusiasmado por ter o primo cá a dormir e foi por isso que fiz muito barulho e me portei mal. Desculpa.

[silêncio]

E desculpa ter gozado contigo. Desculpas?

Eu: Claro que sim, meu amor, mas sabes que a mãe não gosta nada disso…

Martim: Desculpas-me sempre?

Eu: Sempre, meu amor, mas sabes, sempre que te portares mal vou ter que te corrigir também, é esse o meu papel.

Martim: Gosto muito de ti mamã, não vai voltar a acontecer, prometo.

Respondi-lhe que acreditava nele e que era muito bonito o que ele tinha acabado de fazer ao reconhecer um erro e desculpar-se por ele. Vim para a cama escrever e, confesso, ainda não sei quem ensinou o quê a quem. Em todo o caso, fica uma nota mental: ser tão diplomática quanto o meu filho, ser tão diplomática quanto o meu filho, ser tão diplomática quanto o meu filho…

 

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2 thoughts on “Ao cair do pano – sobre o fim-de-semana

  1. O Henrique é a mesma coisa, todos os dias me pergunta : “quem é que vai lá a casa?”, como é obvio não podemos ter sempre “diversões”, então pergunta-me logo a seguir” Com quem vamos jantar fora?. Parte disto foi culpa nossa, porque mudar para outro pais, não é um mar de rosas e um dos escapes, era o jantar fora, para vermos outras pessoas, nos os trés sempre mergulhados em nós também cansa 🙂
    Como nós aqui no Luxemburgo, é muito comum pessoas de países diferentes e começar/ continuar as suas vidas longe do apoio da família, e construir uma rede social em uma nova cidade é algo de fato desafiador. Os filhos, no entanto, acabam exigindo que os pais sejam mais pró-ativos nesse sentido e demandam, literalmente, encontros com outras crianças da mesma idade.
    Até na escola se promove isto, com a troca de numeros de telefone e moradas dos amiguinhos. O henrique já há alguns meses vinha expressando a vontade de trazer os amiguinhos da escola para casa: mostrar o seu quarto, os seus brinquedos, compartilhar o seu espaço. Percebi também que o desejo não era apenas dele. Era compartilhado pelos coleguinhas da escola, frequentemente um deles me pedia para vir brincar em nossa casa ou vice -versa. Admito que o problema era mesmo eu! “Ai é cedo de mais”, ” e se ele se porta mal ou mesmo igual a uma criança?!”, rapidamente achei estes pensamentos uma perda de tempo, e alinhei num play date.. Olha foi maravilhoso, agora todos os sabados tenho amiguinhos ca em casa, para revirarem a casa 🙂 ou levo o Henrique a revirar a dos outros.
    A experiência tem sido muito enriquecedora, para mim que me libertei das minhas amarras, e para ele que constroi o seu nucleo de amigos, que desenvolve o social e partilha novas experiências – está a crescer e a traçar o seu caminho
    É maravilhoso.. beijinho inês

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