Quando os miúdos se zangam

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Lá em casa existe uma divergência recorrente. Discordamos sobre como aconselhar o Martim quando aparece mordido, arranhado, com galos na cabeça (ou qualquer outra opção do vasto e criativo menu que os miúdos têm na hora de se magoarem uns aos outros), sendo o autor sempre a mesma criança.

O pai é adepto firme de que tem que se defender, que não pode deixar que lhe façam essas coisas, que tem, em suma, que responder na mesma moeda se preciso for.

Eu entendo que as opções são i) manifestar o desagrado; ii) brincar com outras crianças; e iii) informar a pessoa responsável.

Não tenho sangue de barata… O meu também ferve quando o meu príncipe encantado de palmo e meio vem lesionado e abatido. Secretamente, posso até sentir algum orgulho quando incorpora o Hulk – o seu personagem favorito do momento – e efectivamente se defende. Mas, vamos lá ver: não nos sentimos todos – mães e pais – assim? Não ficamos todos igualmente nervosos pelo bem estar dos nossos filhos? E quando é o nosso filho o autor de brincadeiras mais imprudentes ou quando manifesta as suas frustrações de forma menos apropriada com os amiguinhos?

Por um lado, acho difícil fazer entender a uma criança com quatro anos em que circunstâncias é correcto defender-se e o que é que isso, na prática, pode implicar (se nem os adultos entendem muito bem o alcance da legítima defesa, quanto mais eles…). Devem reger-se por um princípio e, para mim, o princípio só pode ser ‘não se bate nas pessoas’. Nunca.

Nem sempre é fácil, mas tento fazer dois exercícios: um, de empatia, para com as outras crianças e os seus pais, se a situação fosse a inversa; outro, de pura prognose. Imagino o Martim com 12, 13, 14 anos. Imagino-o vítima de bullying na escola (é um pensamento horrível para se ter, mas acho que compensa antecipar um problema que não existe em nome da prevenção). Imagino o que gostaria que ele fizesse nessas circunstâncias. E a primeira coisa que me vem à cabeça é ‘contar a alguém’. Pedir ajuda. É isso que eu quero que o meu filho adolescente do futuro faça se se vir em apuros maiores do que aqueles que a sua maturidade lhe permite processar.

E isso não me parece compatível com incentivá-lo, hoje, a ser um justiceiro em causa própria por muito que, às vezes, (também) me apeteça.

E porque não acontece só aos outros, relembro a sugestão de evento para hoje, Dia Mundial de Combate ao Bullying.

 

 

 

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