Os Avós: eles não são obrigados!

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Um facto curioso acerca dos avós e que é, desconfio, desconhecido da maioria dos próprios: eles não são obrigados!

Mas obrigados a quê? Perguntam vocês e bem.

Partilho duas situações exemplificativas (mas ambas reais) para introduzir a discussão.

Situação 1: Telefonema do meu pai

  • Inês, eu e a mãe estamos a pensar em ir ao Alentejo este fim-de-semana. Vês inconveniente? Vais precisar de nós?

Situação 2: Telefonema entre o Mário e a mãe dele

  • Mãe, em Agosto vais à terra?
  • Ainda não sei, mas precisas que fique? Se precisas não vou.

Não, não e não!

Os avós são um sistema de apoio fantástico e sim, todos nós sabemos que têm todo o gosto em ficar com os nossos filhos para que possamos trabalhar, namorar, vegetar que seja! Haja avós na nossa vida e na vida dos nossos filhos para sempre!

Mas…

Eles. Não. São. Obrigados.

Não são obrigados a gerir a sua vida em torno das nossas conveniências.

Não são obrigados a mudar os seus planos por causa dos nossos.

Não são obrigados a estarem ao nosso serviço.

Não são obrigados a serem avisados em cima da hora sobre o seu próprio calendário de fim-de-semana.

Não são obrigados, em suma, a dizerem-nos que ‘sim’ sempre que lhes oferecemos os nossos filhotes.

Falando por mim, tento que os meus filhos passem tempo de qualidade com os meus pais pelo menos um dia por semana. Obviamente, tento fazer coincidir esse dia com algum que me dê jeito por um motivo qualquer. Mas quando acontecem situações como aquela que descrevi é-me inevitável pensar se não andarei a abusar da sua disponibilidade, do seu tempo, das suas vidas.

É que, no fim do dia, os filhos são responsabilidade dos pais. Os avós são influências maravilhosas, mesmo com tudo o que nos aborrece que façam com os nossos filhos e pelo que os repreendemos vezes sem conta daqui até ao fim dos tempos. Mas também são indivíduos. E são indivíduos que já tiveram ou têm ainda, uma vida activa que os obrigou a obedecer a horários, hierarquias e todo o tipo de condicionantes. E que têm todo o direito de dispor do tempo que têm livre como bem entenderem. Isso inclui não condicionarem os seus dias à possibilidade, tantas vezes meramente virtual, de terem os netos ao seu cuidado.

Se alguém tem que adaptar ou redesenhar os seus planos são os pais aos dos avós, não o contrário. São os pais que precisam, tantas vezes, dos avós, não o contrário.

Para mim, aquelas duas situações deveriam ter-se desenrolado assim:

Situação 1:

  • Inês, eu e a mãe vamos passar o fim-de-semana no Alentejo. Se estavas a contar connosco para alguma coisa, talvez seja melhor pensares numa alternativa.

Situação 2:

  • Mãe, em Agosto vais à terra?
  • Sim / Não.

Porquê? Porque muito que se sintam assim, eles não são obrigados, ora pois!

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