O que ele tem a dizer ao mundo

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Achamos que ele fala pouco.

Dizem-nos que não. Que na sala dele é dos que mais palavras diz.

No médico reforçam esta ideia, informando-nos que o seu vocabulário é para lá de suficiente para um bebé da idade dele.

Compreendemos então que caímos na armadilha das comparações que amaldiçoa o segundo filho (e todos os que se lhe seguirem): o Martim sempre foi um falador e não se lhe conhecem palavras ‘tortas’, de sílabas trocadas ou mal ditas. Aliás, com um ano e dez meses o Martim já me acusava madrugada adentro, com uma dicção perfeita apesar do pranto com que se misturava e que me maltratava o coração e os ouvidos, naquelas circunstâncias «A mãe fugiu. A mãe foi embora.». Um «pequeno» preço a pagar pelos nossos dez dias de lua-de-mel… Sem ele, obviamente.

Com comparações ou sem elas, aqui vai:

Nãuum – uma das palavras favoritas durante muito tempo.

Xim – Custou a aprender a verbalizar o sim, mas depois de perceber que também servia para confirmar que queria comida, convenceu-se da sua utilidade.

Bola – Das primeiras palavras que aprendeu. Porque não lhe falta nada se tiver uma destas.

Páia = Pára. Adoptado para ataques de cócegas e contrariedades no geral.

Xai = Sai. Juntamente com um empurrãozinho, mostra quem é (ou devia ser) o dono do território.

cão, gato, cáô (cavalo), pêxe (peixe), fafa (girafa) – toda a bicharada é bem vinda.

Tim, Xalo = Martim, Gonçalo, o irmão e o primo, duas das suas pessoas favoritas.

Papa, xaxá (bolacha), nana (banana, mas também pode ser maçã ou qualquer outra fruta), quêx (queijo), pão, bôuô (bolo), áua (água) – comida, comida, comida, comida. Acho que ele adormece e acorda a pensar em comida. Sempre de boca aberta, come tudo o que lá lhe puserem, inclusive umas coisinhas caricatas, como um destes dias escrevi por aqui.

amãia = homem aranha no seu sentido literal. Mas pode metaforicamente representar qualquer super-herói. Todos são amãia.

Carro – nunca houve popó, foi sempre carro.

Mãe, mamã, mamãe/pai, papá, papai – as palavras mais repetidas. Over and over and over. Às vezes (a maior parte) sem qualquer propósito ou intenção. Só porque sim. Só para que alguém responda ‘Sim, Miguel?’

Mas de todas as coisas que ele diz e que são muitas mais o que consigo lembrar-me do pé para a mão, a melhor é quando lhe dizemos ‘gosto de ti’ e ele responde, com um sorriso safado e chinezinho ‘ti ti’.

Neste dia 15 de Junho de 2018 ele completa 1 ano e meio e isto é o que ele tem, para já, a dizer ao mundo, na sua inocência e sem saber que significa um Mundo para nós.

Meu querido Miguel. Ti ti. Muito.

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