O ‘dia do filho único’

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O ‘dia do filho único’ pretende descrever a circunstância na qual os pais de mais de um filho reservam um dia para passar apenas com um deles, como se fossem ‘filho único’.

É um tema no qual, confesso, tive que morder a língua. No meu tempo pré-Miguel achava um pouco pateta largar um filho para me dedicar em exclusivo a outro. Ter irmãos, serem irmãos, era a sua realidade e havia que viver de acordo com ela.

Porém, há algum tempo que sentia falta do meu tempo a sós com o Martim, como vos descrevi aqui e, depois destes últimos dias em que o monstro do ciúme se apoderou dele, como vos falei aqui, tornou-se gritante que também ele precisava da minha atenção total, sem distracções.

Hoje deixámos o Miguel na escola e lá fomos, a caminho do Almada fórum para uma sessão de cinema a dois.

Embarquei no relógio leeento do meu filho mais velho e fizemos tudo ao seu ritmo.

Levámos uma hora para almoçar porque ele passou metade do tempo a fazer perguntas sobre o filme. Levámos outra hora entre duas lojas porque ele se distrai a dar conversa às lojistas da Ale Hop e brincou pela Fnac com uma luva dinossauro como se fosse o parque.

No carro, ele estava visivelmente cansado, mas quando lhe perguntei se queria deitar-se um pouco comigo para descansarmos, respondeu-me que não, que queria brincar.

E fez questão de brincar comigo até à hora de irmos buscar o Miguel. Inclusivamente, quando o Mário chegou a casa, informou o pai de que estávamos a brincar só os dois e que, caso ele quisesse participar, teria que ser ‘os maus’.

Fomos todos juntos buscar o irmão e ainda não tínhamos chegado à escola, que fica a cinco minutos de carro e já ele tinha adormecido, actividade a que continua a dedicar-se enquanto escrevo isto.

Eu estava redondamente enganada. Ele precisava. Eu precisava.

O ‘dia do filho único’ está longe de ser pateta. Pateta era eu, por acreditar nisso.

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One thought on “O ‘dia do filho único’

  1. Olá Inês!
    Sabes que eu senti logo de inicio da gravidez do meu Martim que iria precisar de fazer isso com a Andreia! Tive logo a consciência que iria ser difícil dar a atenção que ela precisava e que se tinha habituado a ter assim que o irmão nascesse.
    No dia em que fiquei internada, porque, assim como na gravidez dela, tive rutura alta na placenta e estava a perder liquido, eu chorei só de pensar em que iria tomar conta dela, quem iria dar-lhe atenção que ela precisava. Eu sei que o pai iria fazer isso, mas estávamos tão pegadas uma á outra que foi inevitável. Liguei para a minha mãe que me disse logo que iria sair do trabalho mais cedo e vinha logo pra cima com meu pai(do algarve para cá), para eu não me preocupar que assim que o Jorge a fosse buscar eles já la estariam em casa. O que me deixou mais tranquila, provavelmente por ser a minha mãe e saber que a Andreia iria ficar bem com ela. Mas a minha filha foi o máximo, aceitou bem a mãe ter ficado uns dias sem a ver porque trazia o mano pra casa.
    E apesar do mano ser muito pequenininho sempre a fui buscar á escola, para que ela não sentisse que tinha sido “abandonada”!

    Fiquei triste, como ainda fico, por ter consciência disso e então sempre que posso faço isso com ela!
    Ao sábado sou eu que vou com ela á natação, o Martim fica com o pai, e la vamos nós as duas. Ou então vamos ao parque, enquanto o mano dorme a sestinha da manha, ele no quarto dele e o pai dominhoco no dele.
    Sempre que se pode fazer la vamos nós!
    Há necessidade disso, para ela e para mim!

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