SOS: O que é que eu faço? Dias leves e nervos em franja

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A sério meu povo… O que é que eu faço?

A minha vida com o Martim está uma montanha russa. Alternamos entre dias leves de puro amor, conversas longas, brincadeira e compreensão mútua e dias em que a guerra começa ainda antes dele abrir os olhos e termina comigo exausta, olheirenta e chorosa já depois das 22h.

Nesses dias ele faz de um tudo:

Reclama que não quer levantar-se. Se eu me venho embora, reclama porque não o trouxe comigo.

Reclama que não quer vestir-se ou que não quer vestir o que separei. Se o deixo não vestir-se, reclama que não o vesti. Se o deixo ir escolher outra coisa, reclama que não quer ir sozinho.

Reclama que quer tomar o pequeno-almoço com ajuda. Mas também reclama por ter que esperar 30 segundos que seja para lha oferecer.

Reclama a semana toda porque quer levar o brinquedo X para a escola, quando só na sexta é o ‘dia do brinquedo’. Quando chega a sexta, reclama porque quer levar outro qualquer, ou porque quer que o carregue eu, ou que vá eu buscá-lo.

(substituam ‘reclama’ por ‘faz a maior birra do Universo’, porque é assim mesmo, só não quis escrevê-lo tantas vezes, que até isso já me arranha a alma).

Hoje mesmo adverti-o, ao vê-lo ‘destruir’ um brinquedo, de que podia fazer o que quisesse, mas que eu não iria concertar, porque não tínhamos tempo nesse momento. Claro que desmontou a coisa só para pedir para eu arranjar a seguir e, obviamente, fez birra quando lhe disse que não ia fazê-lo, conforme já o tinha avisado.

Mas o pior… o pior é quando me bate. Quando me chuta para me afastar no momento de lhe vestir o pijama. Quando me atira os brinquedos que lhe pedi para não estragar vezes sem conta, mesmo eu dizendo-lhe que me está a magoar e que pare. Quando vem contra mim às cabeçadas em modo repeat enquanto insisto para que vista o casaco. Quando me dá murros na barriga despertados pela raiva de eu estar a ignorar-lhe as fúrias…

O que raio eu faço?

Não vou bater-lhe de volta. Não vou. Como referi aqui, a palmada é um recurso que vem do desespero, da perda de paciência, da exaustão mental. Não resolve o nosso problema.

Não vou distribuir amor. Não consigo conceber responder a murros com abraços e beijinhos. Ele tem que perceber que as suas acções têm consequências e que tratar mal as pessoas não gera sentimentos positivos na pessoa que ele maltrata. Inclusivamente já lhe expliquei isso várias vezes. Sucede que, em regra, nestes dias mais ‘agudos’ meia hora depois, de termos uma conversa calma, ele já está a fazer o mesmo por outro motivo qualquer, apesar de se ter mostrado profundamente arrependido e ter pedido desculpa.

Também não posso fingir que não aconteceu. Ignorá-lo enquanto me bate ou enquanto me responde coisas como ‘qual é a parte de que eu quero [inserir qualquer porcaria que vos venha à cabeça] que não percebeste?’ até pode funcionar, mas funciona de uma maneira perniciosa. Por um lado, não cessa o comportamento (e, convenhamos, não sei quanto a vocês, mas eu não curto apanhar de uma criança de quatro anos…). Por outro, fá-lo ficar cada vez mais irritado e mais criativo nas formas agressivas de chamar a minha atenção. Atendendo ao que relatei aqui e que derivou justamente de uma situação em que o ignorei, não quero arriscar.

Mas voltamos ao ‘o que raio eu faço?’

A sério… Estou realmente perdida.

Andamos nisto há pouco mais de um mês e eu estou a entrar em SOS. Nada parece acalmar o coraçãozinho agitado do meu Martim, normalmente tão sensível. E, entretanto, insiste em expressar a sua frustração da forma mais negativa que conhece…

Qual a forma que vocês considerariam adequada para lidar com estas fúrias no momento?

O que fazem quando é convosco?

Lancem-me luz, que eu estou às escuras…

(e tenham um óptimo fim-de-semana… sem birras!)

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