‘Menino da mamã’

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‘O que é que está escrito na tua camisola papá?’

Foi o diálogo que se seguiu a esta a pergunta do Martim – e que agora faz habitualmente em relação a tudo o que é texto, curioso que anda a explorar as letras – que despoletou não só este post como uma valente gargalhada minha. É que, como se diz pela boca morre o peixe, mas é muito mais divertido quando o ‘pescador’ tem quatro anos e uma memória aguçada.

Explico.

O Mário vive lamentando a preferência evidente que os pequenos M’s mostram pela mãe.

Quer dizer, não é que o pai não seja fixe. Até é… Mas só enquanto a mãe não chega a casa.

Nisto, vai-lhes lançando armadilhas, jogos de palavras, queixumes, para testar os seus afectos e ouvir um ‘gosto de ti’ que seja ou ganhar um abraço de misericórdia. Alguns desavisados chamar-lhe-iam ‘ciúmes’, mas não eu…

Uma das artimanhas que usa frequentemente é aproveitar as minhas declarações de amor ao Martim para me dar um ‘chega para lá’ e dizer que o Martim é dele. Eu riposto e digo que é meu. Depois de algum ping pong de ‘é meu’ entre os pais, o Martim é chamado a decidir. Durante muito tempo nem pestanejava para responder que era ‘da mamã’. Ultimamente, depois de lhe explicarmos muitas, muitas vezes que é só uma brincadeira, que nenhum de nós se aborrece por isso, que ele não tem que escolher e que ele é, e sempre será, dos dois, em actos de justiça salomónica, lá vai respondendo que é ‘dos dois’ (rematando às vezes com um ‘não discutam’).

Em suma, dá ao pai uma colher de chá e faz com que nos calemos com aquela lenga-lenga do ‘é meu’ que apenas serve para interromper a actividade super importante em que se encontrava envolvido (qualquer uma) antes daquele show decadente de carência parental.

E agora, devidamente enquadrados, voltemos à camisola do papá e à pergunta do Martim.

Por alturas do Natal o Mário encontrou no facebook (aqui) estas camisolas e achou graça. Comprou duas. Porquê? Porque elas têm escrito exactamente o que ele próprio é e se considera:

E foi isso que o Mário respondeu ao filho quando ele lhe perguntou o que estava escrito na camisola: está escrito ‘menino da mamã’.

Depois de uma bateria de questões sobre onde estava cada palavra, que espaço ocupava cada uma na camisola e o respectivo esquema de cores, o Martim repete, sublinhando com o dedo as palavras na camisola: ‘menino da mamã’.

E aí, pára um pouco para pensar e pergunta:

“Porque é que a camisola não diz que é ‘dos dois’?

Touché! Pois é, papá… Não há como um menino da mamã, para reconhecer outro. E assim se desarma retroactivamente um pai…

Como é desse lado? Muitos meninos da mamã?

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One thought on “‘Menino da mamã’

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