Medos… Os meus, desta vez.

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No último post alguém comentou pertinentemente se não teríamos nós, eu e o Martim, medo de falhar, sendo esse o motor da nossa aversão a competição.

Como expliquei em resposta a esse comentário, no caso dele não sei ainda, mas no meu não se trata disso. Sei que as maiores recompensas estão fora da nossa zona de conforto e o medo que sinto perante a travessia que me leva a uma recompensa valiosa apenas me dá motivação para garantir que essa travessia é concluída, com ou sem precalços. Ganhar uma competição apenas não se me apresenta como uma recompensa que valha o meu desconforto e os precalços da travessia.

Mas há medos que eu, de facto, tenho.

Cada vez mais, aliás, à medida que me descubro como mulher e como mãe de dois rapazes!

Tenho medo que eles se sintam presos às minhas expectativas.

Tenho medo que essas expectativas não sejam possíveis de satisfazer.

Tenho medo que eles não se sintam livres de crescer ‘fora dos padrões’. Que queiram ser cabeleireiros, bailarinos, educadores de infância e se coíbam de o dizer e de lutar por isso. Que sejam apaixonados por mecânica automóvel, canalização, electricidade e eu considere que isso é ‘contentarem-se’ com menos do que as suas capacidades permitem.

Tenho medo que sejam vítimas. De bullying. De abuso.

Tenho medo que não falem se o forem.

Tenho medo que sejam agressores. Bullies. Abusadores.

Tenho medo que as suas vítimas não falem se eles o forem.

Tenho medo de me negar a ver ‘os meus meninos’ como capazes de tais coisas.

Tenho medo de não saber dizer-lhes que ‘não’ as vezes necessárias para que eles entendam que o Mundo não gira à sua volta e não lhes deve nada. Que o mérito importa. Que às vezes o dos outros é superior ao seu e está tudo bem.

Tenho medo de zombar da sua fé, caso eles encontrem a que eu nunca tive.

Tenho medo que cresçam machistas, racistas, homofóbicos (não necessariamente por esta ordem).

Tenho medo que nunca tenham oportunidade de amar alguém tanto quanto eu os amo a eles.

Tenho medo de interferir demasiado nas suas vidas.

Tenho medo de não interferir o suficiente.

Tenho, como vêem, muitos, muito medos.

Mas não tenho medo de os ter.

E para cada desses medos tenho, também, uma promessa: em cada dia o meu melhor com as ferramentas de que disponho.

 

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