M de Manos – Parte I/III

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O Martim.

O Martim tem quatro anos e é sensível, doce, conversador (muito, muuuiiiito). Assim é o Martim.

O Martim é mágico. Faz desaparecer toda a paciência em segundos para fazer aparecer toda a ternura e sensatez logo em seguida. Mágico.

O Martim é solidário. Gosta de ajudar e de sentir-se útil. Tem sempre um mimo pronto e um jeitinho muito especial de reconfortar aqueles de quem gosta. Tão solidário o meu Martim.

O Martim é sonhador. Vive de devaneio em devaneio e para ele ‘pressa’ é uma palavra desconhecida porque, pelo menos na prática, não faz uso dela. Para. Nada. Às vezes não sei se vive a dormir ou se sonha, constantemente, acordado. O meu sonhador.

O Martim é sociável. Já o tinha referido aqui. Prefere brincar acompanhado e é difícil conseguir que se entretenha  sozinho sem, pelo menos, um aceno de aprovação ou uma palavra de encorajamento. Faz amigos em qualquer lugar e, ainda que seja por apenas alguns minutos ou durante um par de horas ele lembrar-se-á sempre daquela vez em que brincou em tal lugar com tal menino. Mesmo que – e é o mais provável – nós não nos lembremos. Tão, mas tão sociável.

O Martim ama o irmão. Diz-nos com a cara franzida ‘ai ai ai, Mamã!’, ‘ai ai ai, Papá!’ quando algum de nós usa um tom mais ríspido com o Miguel depois de algum dos seus infindos disparates de pendor suicida. Protege-o sempre de tudo, mesmo que o lembremos sempre que o mano não é responsabilidade sua. E apesar de ter que dividir tudo com ele e se ter ressentido, sob a forma de carência, por toda essa partilha onde antes só existia Martim, nunca, nunca deu mostras de sentir ciúmes do Miguel… O Martim ama o irmão.

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