Hoje não queria largar-te

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Adormeceste no meu colo, como todos os dias.

Hoje não queria largar-te e segurei-te contra mim até me doerem os braços e até não haver almofadas que amparassem a dor para colocar debaixo deles. Hoje não queria largar-te porque sinto em todos os meus nervos que estás a deixar de ser pequenino. Dentro em breve farás um ano. Um ano desde que ouvi, pela primeira vez a tua voz. Um ano desde que te olhei nos olhos para te chamar ‘meu amor’ cara a cara, finalmente. Um ano desde que te apresentámos ao irmão mais orgulhoso que poderias ter.

Hoje não queria largar-te. Porque ver-te crescer é delicioso mas é doloroso também. Perco-te um pouquinho para o Mundo a cada novo raiar do dia. És um pouquinho menos meu a cada pôr do sol. Bem sei que é inevitável. Mas dói no coração da mãe que tatuou no braço o teu primeiro choro. É piroso. Mas caramba, foi o primeiro choro do bebé mais lindo do Universo! O meu bebé a deixar de o ser. Bebé e meu.

Por isso não queria largar-te. Queria trazer-te para dormir comigo mesmo sabendo que o teu ‘mau dormir’ me faria arrepender. Tu não sabes, mas cada vez que respiraste no meu colo, cresceste um pouco e contigo a minha dor. Pouco me importa se tudo isto soa egoísta e demasiado dramático. Hoje queria que fosses para sempre esse bebé pequenino feito por medida para os meus braços, onde o mano já não cabe tão bem e já não passa tanto tempo, um pouco por tua causa também.

Acordarás com 11 meses e eu não queria largar-te. Não queria despertar para ti, um mês mais crescido. Vou fazê-lo de qualquer modo, porque o tempo não pára, as noites não param, os dias correm e qualquer dia, tu também. Para longe do meu colinho dorido. Vazio.

Não queria largar-te, meu monstrinho, não queria… Mas larguei e prometo: vou fazê-o sempre, por muito que doa. Porque tu mereces.

 

 

 

 

 

 

 

 

Felizes 11 meses, meu MigueLindo!

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