Ginásio, mamãs? Sim, claro! Mas talvez não por ESSE motivo.

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Levante a mão quem integra aquele grupo de clientes perfeitos do ginásio que nunca, nunca, nunca lá põe os pés!

Aposto que consigo adivinhar como isso aconteceu: terminou o Verão ou as festas de final de ano ou nasceu a coisinha mais linda do vosso mundo e a balança deu um grito (ou vários). Chega! Segunda-feira (é sempre segunda-feira…) começa a dieta! E o ginásio! E cá vai de procurar condições ou aderir aquela campanha que aparece, majestosa e providencial, naquelas alturas chave e que nos promete maravilhas ao preço da chuva.

O primeiro mês é maravilhoso! Frequência diária, energia inesgotável! Tirando naquele dia em que houve almoço da empresa/o bebé ficou doente/a amiga terminou o casamento… Bom, excepções. No segundo mês as excepções aconteceram com um pouco mais de frequência e entretanto a porcaria da balança vai parecendo nunca se calar, sempre ali, mal humorada, aos gritos, aos gritos. E há tanta coisa para fazer e uma pessoa esforça-se e os resultados não aparecem, apesar de só se comerem folhas de alface e de se frequentar toda a santa aula do extenso cardápio que qualquer ginásio tem para oferecer. No terceiro mês é um ‘que se lixe’ em toda a extensão. Sou gorda vou morrer gorda e dá cá esse chocolate que eu não vejo disso há demasiado tempo… E não! Não tenciono partilhar!

A ordem natural das coisas vai-se restabelecendo. O açúcar reconforta o cérebro e até parece que o nosso batimento cardíaco desacelera. A vida é um paraíso, por um momento… Mas aquela malvada daquela balança continua lá a gritar… Não faz mal, para a semana voltamos ao ginásio. Entretanto passaram seis meses e a única parte de vós que foi para o ginásio foi aquela, por sinal já bem magrinha, que habita na conta bancária…

Se calhar… Se calhar está na altura de parar e aceitar a realidade: quem faz isto não gosta de ir ao ginásio. E não me ocorre uma única razão no Mundo para que deva sentir-se obrigada a fazê-lo.

‘Ah e tal, mas eu já vi por aí que tu vais ao ginásio’, dir-me-ão. Verdade.

Desde os três anos que me habituei a praticar algum tipo de exercício físico. Fiz de tudo um pouco: natação, ginástica rítmica, equitação, karaté, aeróbica, danças brasileiras, zumba e mais recentemente frequentei toda a miríade de aulas que a maior parte dos ginásios disponibilizam – menos spinning (como eu odeio spinning!). Acostumei-me a estar activa e faz-me alguma confusão ‘estar parada’ durante muito tempo.

Mas o que é estar parada? Dar uma caminhada matinal com os miúdos ou os animais de estimação é estar parada? Não abdicar de pegar na bicicleta e ir dar uma volta algumas vezes por semana é estar parada? Fazer os seus percursos diários essencialmente a pé e utilizar o carro só em caso de excepção é estar parada? Claro que não! Actividade física não tem que equivaler a ginásio. E a actividade física que nos faz bem – sei-o hoje – é aquela de que gostamos, aquela que fazemos não porque tem que ser, mas porque somos um pouco menos nós se no-la tiram. E essa é a actividade física certa. Tudo o resto… É ruído e dinheiro ao lixo. E não… Fazer algo que odiamos de morte só para parar de ouvir os gritos da balança não vai fazer com que ela se cale. Sabem o que vai fazê-la calar-se? Deitarem-na fora (se não de facto, pelo menos metaforicamente).

A única medida de que precisam é-vos dada pelo vosso nível de bem-estar. E se calhar até não é a balança que incomoda… Se calhar é o marido que não pára de vos chamar, ainda que carinhosamente, de ‘minha gordinha’. Se calhar é aquela censura velada da tia, que sempre que vos vê pergunta que dieta estão a fazer ‘agora’ enquanto olha de alto a baixo em jeito de ‘não está a funcionar, só para que saibas’. Se calhar o trabalho está tão stressante que comer parece a única alegria na Terra. E se calhar… Se calhar são essas as coisas que precisam de ser resolvidas.

Não me interpretem mal, exercício físico é tudo de bom e adoro ir ao ginásio, até porque encontrei a melhor PT do Universo, com quem tenho a maior das empatias e que me faz apreciar cada treino e cada pequena evolução. Mas é esse mesmo o ponto: eu adoro ir ao ginásio. E claro que seria simpático terminar de perder o peso que eu sei que anda aqui a mais, mas por ‘pequena evolução’ o que quero dizer é um pouco mais de resistência, mais alguns metros em menos tempo, mais algum peso na barra, umas quantas flexões sem joelhos no chão… Desafios superados.

São essa empatia e essas pequenas evoluções que me fazem sentir bem comigo mesma. A balança tornou-se um acessório que uso de tempos a tempos para me manter informada e nada mais do que isso. Não me diz que sou perfeita, seguramente. Mas sabem que mais? Também não me diz que não sou.

E quem é ela para opinar, de qualquer maneira? Até lhe fazia bem um chá, para lhe acalmar tanto mau humor…

 

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