Fraldas reutilizáveis – 5 notas práticas que gostaria de ter lido

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Para muitos pais, as fraldas reutilizáveis começam a ganhar terreno enquanto alternativa às fraldas descartáveis.

Pessoalmente, acho que me encontro em boa posição para opinar já que, tendo dois filhotes, cada um experimentou uma destas opções: o Martim nunca viu outra coisa que não fraldas descartáveis, o Miguel anda com reutilizáveis (actualmente tenho 38, quase todas compradas na Ecological Kids e faço duas máquinas de fraldinhas por semana).

Às fraldas descartáveis ninguém lhes tira um mérito inegável: são práticas. Usa, lixo. Fim. Em qualquer circunstância.

As fraldas reutilizáveis, apesar de implicarem um pouco mais de logística, também têm os seus encantos. Um único investimento e muito amortizável, sobretudo no caso de se pretender ter mais do que um bebé.

Posto isto e pondo de lado estas considerações iniciais, tenho algumas notas que gostava muito que alguém me tivesse deixado, para além do clássico ‘vantagens e desvantagens’ de uma e outra opções (e que facilmente encontramos se pesquisarmos no amigo Google). Aqui vão elas:

  • As fraldas reutilizáveis que, compradas novas, são caaaaras, têm um mercado de segunda mão que as torna bastante mais acessíveis

A sério, se eu soubesse o que sei hoje, em vez de me atirar de cabeça para um pack completo de 30 fraldas multimarcas por € 750, tinha comprado a mesma quantidade por quase um décimo do preço (não estou a exagerar). E não é preciso ir longe, mesmo no market place do nosso querido facebook podem procurar que, de tempos a tempos, aparecem ofertas que me fazem querer bater com a cabeça na parede, pela minha ineficiência.

  • Se complicarem demasiado, não vão usá-las

Quem já procurou informar-se sobre o assunto de certeza que ficou com um nó tão grande no cérebro como eu: fraldas planas, pré-dobradas, fraldas de bolso, tudo-em-um, fraldas de tamanho único, de tamanho variável, com fecho em velcro, com fecho em botões… what??? O facto é que, se se deixarem embrulhar pelo excesso de informação, é fácil abandonarem a ideia tão depressa como a tiveram.

Por isso, deixem-me facilitar-vos a vida. Não existindo um cuidador em permanência com a criança para controlar estes processos, não vão querer ter mil fraldas para mil efeitos diferentes. E, pela minha experiência as opções mais práticas, mais versáteis e mais friendly independentemente da marca (e também há muitas, muitas marcas), são as seguintes:

  1. Quanto ao tamanho: único, sempre. Varia um pouco de marca para marca, mas a tendem a servir entre os 4 e os 16kg. Com o Miguel optei por comprar fraldas descartáveis para recém-nascido (não achei que valesse a pena investir num arsenal de fraldas que deixaria de lhe servir enquanto o diabo esfrega um olho) e, assim que ele atingiu o peso mínimo passei a usar as reutilizáveis, que são as mesmas que usa hoje com 10kg e as mesmas que usará até ao desfralde. Na minha opinião, apesar de serem uma opção um pouco mais cara, tornam o investimento mais seguro e menos trabalhoso do que comprar por tamanhos. Mais fraldas a servirem ao mesmo tempo = menos máquinas de fraldas para lavar.
  2. Quanto ao fecho: é absolutamente indiferente. Mesmo. Escolham as que forem da vossa preferência. Pessoalmente, prefiro com botões; contudo, noto que, para pessoas não familiarizadas com as fraldas reutilizáveis torna-se psicologicamente mais suave lidarem com as de fecho em velcro porque são mais próximas das velhas conhecidas descartáveis. Cuidadores ocasionais, avós e educadores desta vida podem ter a sua vida facilitada neste aspecto.
  3. Quanto à composição: idealmente – e era aquilo em que acreditava antes de as usar – dir-vos-ia que as chamadas ‘tudo-em-um’ seriam as mais práticas já que, tratando-se de fraldas com absorvente já integrado na capa impermeável, são as que mais se aproximam das fraldas descartáveis. Usa, saco para lavar. Fim. Todavia, a experiência tem-me levado a preferir as fraldas de bolso, isto é, aquelas em que a capa impermeável e o absorvente vêm separados. Porquê? Algumas tudo-em-um não permitem reforço com mais absorventes (o que, principalmente durante a noite, acaba por resultar em bebés molhados e desconfortáveis e em adultos acordados e rabugentos). Outras permitem, mas o acesso é difícil (sobretudo se pensarmos na hora de desmontar a dita cuja, encharcada em substâncias nas quais não nos apetece propriamente tocar). Para mais, com as de bolso, em caso de eventual deterioração do absorvente/capa, basta substituir por outro(s) dos muitos que terão enquanto que, se o mesmo acontecer com uma tudo-em-um, é uma fralda que vai para o lixo.

O que me leva à terceira nota.

  • Todos os absorventes servem para todas as capas e todas as fraldas reutilizáveis requerem os mesmos cuidados

Quem me dera ter sabido isto antes de passar algumas horas da minha vida a catalogar fraldas por marcas, por tipos de cuidados e apontar criteriosamente que fraldas tinham vindo com que absorventes, para poder lavá-las todas juntas e voltar a emparelhá-las (a foto abaixo é da minha agenda do ano passado e não me deixa mentir). Burra. Burra. Burra.

 

 

É verdade que, consoante a marca, as indicações de lavagem e secagem podem variar: algumas permitem secagem na máquina a temperaturas muito variáveis consoante a marca, outras não; algumas podem ser lavadas a 60º, outras a 40º, algumas ainda apenas a 30º. Mas também é verdade que se torna totalmente impraticável separar as queridinhas por categorias de cuidados e fazer uma máquina para cada uma delas. Por isso, confiem em mim: atirem tudo para lavar a 30º, deixem o amaciador e a lixívia na prateleira e ponham igualmente de lado a secagem na máquina. As fraldas secam razoavelmente depressa ao ar, mesmo num estendal interior e não vale a pena o risco (aprendi esta à custa, justamente, de arriscar e danificar um par delas).

  • As fraldas descartáveis não sairão, em definitivo, das vossas vidas

Gosto muito das fraldas reutilizáveis e gabo-as a quem for, mas há situações em que prefiro não ser fundamentalista. Convenhamos, ninguém quer ir de férias com uma mala extra de 30 fraldas reutilizáveis e o ónus de as lavar. Nessas circunstâncias, ainda prefiro comprar um pacotinho de fraldas do que a chatice.

  • As fraldas são todas muito parecidas… mas há umas melhores do que as outras

O que não faz, ainda assim, grande diferença durante o dia. Uma fralda ‘mais ou menos’ serve exactamente o mesmo propósito do que uma óptima quando estamos todos em estado alerta e trocamos os miúdos com uma frequência adequada.

Mas de noite… Ah, de noite é que as fraldas provam o seu valor. E para a noite a minha marca de eleição é só uma: Blueberry (com as Bumgenius num segundo lugar, honroso mas longínquo). O cadastro das minhas Blueberry é impecável, sem registos de acidentes nocturnos (pelo menos que não tenham sido causados pela minha inexperiência, apertando-as mal). Não posso dizer o mesmo de qualquer das outras marcas que tenho e são algumas (Piriuki, Charlie Banana, Blueberry, Bumkins, Bumgenius, Totsbots, Wonderoos, Bambino Mio). Bom, para ser rigorosa, comprei não há muito tempo uma da marca Baba+Boo, pelo motivo exclusivo e profundo de achar que ia ficar gira no rabinho do meu bebé e sinto-me tentada a crer que será material de uso nocturno. Mas, como só a testei uma noite, não consigo ainda afirmar com certeza.

Tudo isto para dizer: tenham quatro ou cinco fraldas em que realmente possam confiar para as noites.

***

E pronto. Espero que estas pequenas notas consigam ajudar alguém, poupar trabalho a alguém, elucidar alguém.

A mim, pelo menos, ter-me-iam dado jeito.

Deixo-vos com o Miguel a rebolar de alegria com uma das suas fraldinhas.

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