Faz o que eu digo, não o que eu faço(?) – sopas e descanso

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Situação:

À mesa da refeição na Terra do Sempre, esse paraíso na (nossa) Terra, que visitámos este fim-de-semana, um pai recusa a sopa, depois de ter dado a dita cuja aos filhos.

Alfinetado pela anfitriã, que o questiona sobre o exemplo que estaria a dar, o pai responde ‘neste caso é usar a lógica do ‘faz o que eu digo e não o que eu faço”.

Não vou entrar no mérito da sopa ou não sopa, mas…

Ou até vou!

Um parêntesis: a mania da sopa!

Pessoalmente, odeio sopa!

Odeio!

Todas as sopas (e acreditem experimentei muitas e ainda hoje, de vez em quando, faço esse esforço).

Depois de uma infância inteira em que a única coisa que havia para comer ao jantar era… Isso mesmo, sopa (e não desmerecendo a minhã mãe que as fazia bem e variadas), livrei-me desse dessa obrigação mal tive um pingo de autonomia nesse sentido.

O que me leva à seguinte questão: de onde é que vem essa ideia peregrina de que é preciso comer sopa? Não me interpretem mal, acho super saudável e um óptimo hábito… PARA QUEM GOSTA! Mas para quê forçar alguém que não gosta a enfiar a dita cuja goela abaixo todo o santo dia, duas vezes ao dia? É mesmo necessário?

Há tantas, tantas outras formas de se inserirem vegetais na alimentação, custa muito descobrir com as crianças umazinha de que gostem? Pessoalmente acho preferível a associar para sempre as hora das refeições a um cheiro que se odeia, um sabor que causa asco e a episódios pouco bonitos de presenciar como aquele em que avisei continuamente que o caldo verde ia fazer-me vomitar e… Bom, poupo-vos dos pormenores.

E pronto. Findo este momento de disclosure acerca do meu traumazinha de infância, podemos prosseguir com o que constitui, realmente, o tema deste texto:

Faz o que eu digo e não o que eu faço

Sou muito, muito, muuuuuiiito fã desta ideia! Aliás, atenta a aversão à sopa de que, chegados a este ponto, são todos, quisessem ou não, conhecedores, tudo o que mais gostaria é de que ela fosse praticável…

Mas vá, todos sabemos que não é, certo?

Como convencer uma criança de que é óptimo comer sopa embora eu me contorça toda só de lhe ver o fumo?

Como convencer uma criança que é feio insultar as pessoas, se insultamos o nosso companheiro de cima abaixo em cada discussão que temos?

Como explicar que não se bate na mãe, enquanto se lhe dá umas palmadas ‘para aprender’?

Como fazê-la concentrar-se nos trabalhos de casa e desligar as redes sociais enquanto o faz, se nós não vamos nem à casa de banho sem carregar o telemóvel atrás?

Estão a ver a ideia, certo?

Por muito que eu seja fã confessa do ‘faz o que eu digo’, a verdade é que NÃO FUNCIONA. Nós fazemos o que vemos fazer. Simples assim.

Então: esta é daquelas situações em que por muito valiosa que seja a recomendação ou o valor que lhe está subjacente, se não serve para nós, dificilmente conseguiremos passá-lo aos nossos filhos.

E está tudo bem! Afinal… Se não serve para nós, é porque talvez não seja tão importante assim…

Em conclusão:

Pray what you preach!

Só assim conseguimos ter a confiança necessária para implementar verdadeiramente os hábitos que queremos que sejam os da nossa família e, por outro lado, cobrar que sejam cumpridos e mantidos.

O exemplo (temperado com um pouco de coerência) é tudo.

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