Esta é a história do Mário – o primeiro M a entrar na minha vida

Spread the love

Prometi contar histórias e esta é uma das obrigatórias.

Esta é a história do Mário. O primeiro M a entrar na minha vida. E a história do Mário não é dele, é nossa.

É difícil escrevê-la e tem levado vários dias. Acho que chamar-lhe ‘história’ tem subjacente a ideia de que tenho que lhe dar um fim e que de alguma forma isso me deixa desconfortável. Lembrei-me, então, de escrevê-la primeiro em papel. É em papel que se escrevem as melhores cartas de amor…

Não vou contar como foi amor à primeira vista e como sempre soubemos estar destinados um ao outro. Não foi nada disso.

Aliás, o nosso ‘à primeira vista’ aconteceu depois de nos vermos muitas e muitas vezes. Crescemos no mesmo lugar, rodeados das mesmas pessoas, frequentando as mesmas escolas.

E apesar de não haver amor no nosso ‘à primeira vista’ ele teve qualquer coisa de ‘para sempre’.

O primeiro beijo, arranquei-lho eu. A primeira lágrima, ele a mim. Não era para ser. Não naquele lugar do tempo. Não naqueles 19 anos apaixonados que eram os meus.

Cada um foi para seu lado, não sem olhar muito para trás por cima do ombro e esperámos. Esperámos sem saber que esperávamos. Aprendemos sem saber com que propósito. Crescemos, mas não deixámos de ser aqueles dois jovens obstinados a inventar figuras nas nuvens e a perseguir pores do sol. Vimos muitos, acompanhados de outras pessoas. Vivemos outras vidas. Passaram oito anos.

Até que… A mesma sensação. O mesmo arrepio na espinha. Reconheci-o pelo cheiro quando passou furtivo nas minhas costas. Pela voz quando falou sem ser para mim. Um novo ‘à primeira vista’, um renovado ‘para sempre’. Desci do salto. É agora.

O segundo primeiro beijo arrancou-mo ele. A segunda primeira lágrima não lembro mais. Vivemos em poucos meses aqueles oito anos perdidos noutra Era.

‘Faz acontecer que eu faço valer a pena’. É o que dizem as solas dos sapatos com que casei. Com ele. O amor da minha vida.

Descobri entretanto que não é assim que funciona um casamento. Nada é assim tão certo, tão previsível tão contundente. Tudo é meio, cedência, compromisso. Raramente é tudo ou nada, preto ou branco, comigo ou contra mim. É muito mais q.b.. Vários cinzentos. Juntos.

E é por isso que já não ‘ouço’ as solas dos sapatos com que casei. É por isso que hoje eu faço acontecer só na maior parte dos dias e é só na maior parte dos dias que ele faz valer a pena.

Os outros… São ajustes.

E connosco… Connosco é amor.

Facebook Comments

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *