Era mais fácil sozinha

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Alguém duvida que esta vida se fazia muito melhor sozinha?

Só nós, dispondo de 100% do nosso dinheiro, para gastar em 100% do nosso tempo livre, em actividades 100% do nosso agrado.

Sem cedências para fazer, sem grandes compromissos para honrar, sem outras vidas a nosso cargo.

Alguém, em sanidade de espírito, pode duvidar disso?

Eu não duvido.

Então porque são tão raras as pessoas que escolhem viver dessa forma?

Porque é que tão poucos de nós queremos e apreciamos verdadeiramente viver sozinhos?

Ninguém me perguntou mas eu vou falar, porque eu sou dessas: porque o mais fácil nem sempre (ou quase nunca) é o melhor.

Ou o mais prazeroso.

Ou o mais compensador.

Ou (principalmente) o que nos faz mais felizes.

Mas quererá isso dizer que, escolhendo uma opção menos fácil, nunca mais nas nossas vidas poderemos desabafar sobre o quão difícil é, às vezes, aquilo que escolhemos fazer?

Será que nos torna mães menos merecedoras dos nossos filhos o quanto nos queixarmos do cansaço, da falta de tempo, das estrias, da memória de peixe e do pavio curto? Porque, afinal, ‘se é assim tão difícil porque os tivemos’? E se ‘escolhemos ter agora não nos queixemos’…

Será que nos torna mulheres menos merecedoras de ter um relacionamento o facto de constatarmos o quanto o nosso marido pode ser inflexível/incompreensivo/preguiçoso/frio/ciumento/whatever? Porque ‘se não estamos satisfeitas, podemos sempre bater com a porta’?

Menos, gente! Acalmem lá esses dedinhos nervosos, afastem-nos do teclado onde habitualmente se dedicam a actividades de criticismo da vida alheia e pensem no que seria de vocês próprios se nunca pudessem queixar-se de circunstância nenhuma da vossa vida sem comerem logo com uma qualquer formulação do ‘fizeste a cama, agora deita-te nela’?

Desabafar sobre quanto pode ser difícil a vida a dois (ou, no meu caso particular, a quatro) serve apenas para colocar o difícil para fora de nós, partilhar, expelir o mau, relativizar: manter a saúde mental!

E isso está longe de querer significar que queremos voltar ao ‘fácil’.

Porque ‘fácil’ também significa uma certa dose de isolamento.

‘Fácil’ é não ter um abraço quentinho no frio da noite, um ombro onde pousar um pesadelo.

‘Fácil’ é não ter uma mãozinha pequenina à procura da nossa, um sorriso desdentado quando chegamos a casa.

‘Fácil’ é tantas vezes só isso mesmo: fácil, no sentido de ‘cómodo’, ou ‘menos trabalhoso do que’.

Era mais fácil sozinha? Era, claro!

Mas eu prefiro, de longe, convosco.

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