Em modo avião – a gestão do tempo e o que fica para trás

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Estar em ‘modo avião’ significa, na sua forma pura, pegar nos nossos queridos dispositivos móveis e calá-los. Calar-lhes o som, o wi-fi, os dados, as mensagens e qualquer conexão com o Mundo. Transformá-los em pequenas televisões interactivas que dão as horas, no fundo…

Chamam-lhe ‘modo avião’ porque é o único local onde nos é pedido que o calemos assim: no avião.

Mas o modo avião, seja neste sentido mais fiel à origem, seja num sentido mais figurado, é útil e digno de reflexão…

Há pouco mais de uma semana o Mário fez uso de um vale retirado de um caderninho que lhe ofereci num Dia dos Namorados e que nos proibia, durante uma semana, de mexer nos telemóveis, mal nos deitássemos.

Durante essa semana, sem telemóveis, reparei nos dias que se passavam antes sem quase olharmos um para o outro, conversarmos um com o outro ou o que quer que seja um com o outro.

Vamos acreditando que não. Que é cansaço, que os dias são curtos, que os miúdos nos dão imenso trabalho. E tudo isso é verdade.

Mas o facto é que, com tudo isso, eu consigo escrever neste espaço, gastar tempo à procura de fotos para ilustrar os artigos, mais tempo a escrever e a aperfeiçoar os textos e muito, muito tempo à volta de questões técnicas que ignoro e abomino, porque adoro o meu blog…

O facto é que, com tudo isso, eu sacrifico três horas de almoço por semana para ir ao ginásio, porque adoro treinar.

O facto é que, com tudo isso, ainda acompanho o This is Us, mesmo que nunca tenha conseguido ver um episódio em tempo real, e alguns dos meus canais de youtube favoritos, ainda que seja enquanto trato da roupa ou qualquer outra tarefa, porque a série me causa arrepios e os ditos canais gargalhadas e introspecções.

Ou seja, com tudo isso, ainda há (ou se força) tempo para as coisas do dia-a-dia que nos dão prazer.

Porque é que num mundo em que cabem crianças e blog e ginásio e séries, não haveria também lugar – todos os dias e não só quando fazemos programas a dois – para aquele sobre quem encho o peito para dizer que é o amor da minha vida? Faz pouco sentido…

Tão pouco sentido que o vale, entretanto, expirou.

Mas o ‘modo avião’… esse veio para ficar.

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