Dormir com os filhos… eu não gosto. E daí?

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Não gosto de dormir com os meus filhos.

Pronto. Falei.

Não gosto mesmo.

Até gostava de gostar porque tornava algumas noites bastantes mais fáceis, mas não gosto, é desconfortável.

Gosto de adormecer com eles, agarradinha, sentir aquelas respirações tranquilas de quem não tem uma única preocupação no Universo, de quem se sente seguro nos braços da mamã, gosto de poder amachucá-los e fazer-lhes festinhas nos cabelos sem que fujam para fazer outras coisas ou me afastem o braço quando se fartam.

Mas uma noite inteira disso é só tortura.

Durmo na ponta da cama, porque eles me empurram para lá.

Metade do meu corpo dormita enquanto a outra metade teme pelo abismo.

Os meus braços ficam invariavelmente dormentes.

A minha bexiga adora dar sinal em todas essas fatídicas noites em que me vejo forçada a trazer um, outro ou os dois para a minha cama (sendo que, obviamente, não importa o espaço que haja disponível, eles deitar-se-ão em cima de mim).

Com tanta proximidade, tenho medo que a minha respiração os incomode, que faça vento na cabeça deles, que os acorde e por isso até respirar se torna um gesto consciente e pouco natural.

Sou sistematicamente agredida com cabeçadas, cotoveladas, pontapés.

Cada criança a mais na minha cama é uma hipótese a menos de uma noite minimamente bem passada.

Sim, prefiro levantar-me algumas vezes durante a noite para colocar chuchas caídas, para levar meninos ao xixi, para amparar pesadelos, para dar água, beijinhos ou o que for preciso.

Pelos menos nessas ocasiões, enquanto congelo de pé junto às camas deles, o meu pensamento rejubila com a promessa da minha cama quentinha.

Não gosto de dormir com os meus filhos.

Sabem com quem eu gosto de dormir? 

Com o meu marido. 

Sabem o que torna isso difícil?

Duas crianças na cama connosco.

 

 

 

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