Dilemas de mãe – A viagem

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Daqui a pouco mais de 48h estarei num avião para o Rio de Janeiro.

Pelo menos é o que dirá o meu cartão de embarque. Na minha cabeça, estarei a caminho da ‘minha terra’, aquela que não conheço, na qual não tenho a menor raíz, mas que me preenche a alma desde menina.

É a minha viagem de sonho. Carnaval no Rio de Janeiro.

E, como tal, estou uma pilha de entusiasmo qual criança nas vésperas do Natal.

Mas não sou uma criança. Sou uma mulher de 33 anos. Sou uma mãe de dois meninos que precisam de mim e do pai.

Dois meninos que ficam cá, enquanto vamos viajar.

No meio de tudo o que a minha cabeça já viveu milhares de vezes ao longo dos anos e que o corpo só agora se prepara para viver também é inevitável pensar neles.

Não sinto qualquer culpa em viajarmos só os dois. Nem tão pouco acho que os sonhos devam morrer no mesmo bloco de partos onde nos nascem os filhos.

Mas sinto medo.

O Rio de Janeiro não é, certamente, conhecida por ser a cidade mais segura do Mundo. E se não voltamos?

Que disparate! Porque não voltaríamos?

Mas… E se não voltamos?

Que nó na garganta, que falta de ar, que aperto do peito…

Tento pensar friamente: o que quer que possa acontecer lá, pode perfeitamente acontecer igualmente aqui ou em qualquer outro ponto do planeta. Pensemos em Paris ou em Barcelona, lugares aparentemente seguros e que têm visto tanta coisa acontecer. Basta um louco com um ideal. Basta estar no lugar errado à hora errada.

Mas é mesmo necessário pensar na desgraça alheia para me reconfortar?

Nunca uma viagem me deixou tão feliz e tão angustiada… Por um lado, só vou acreditar que lá estou quando efectivamente pisar aquela terra, por outro só descanso quando voltar a abraçá-los.

Se leram até aqui, já perceberam que este é um post perfeitamente inútil.

Não há ‘moral da história’, opinião estruturada, punch line ou final surpresa, é apenas o que é: um desabafo de alguém que não sabe se ri ou se chora e por isso tem feito ambas em abundância.

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