Dez euros para a rua (?)

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«Foram dez euros para a rua!»

Foi assim que o Mário classificou a ida ao cinema com o Martim, no dia que tiraram para serem só eles dois.

O Martim não estava a gostar do filme e pediu para vir embora a meio.

«Foram dez euros para a rua!»

Respondi-lhe que não. Que foram dez euros para levar o filho ao cinema. E que ele gostou. Enquanto gostou.

Pensando um pouco, gostava de ser um pouco mais como o Martim.

Vir embora de uma sala de cinema, quando o filme não me interessa. Guardar aquele livro intragável na gaveta, que me pareceu tão interessante quando o comprei. Abandonar um curso ou formação quando percebo que entrega menos do que promete.

Mas não. Agarro-me ao quanto investi e continuo a perder tempo, como se o tempo que ainda não gastei e que posso gastar noutras coisas valesse um cêntimo menos do que o dinheiro que já perdi e não volta.

Tontos nós, os adultos, que andamos a toque de caixa das nossas expectativas e nos é tão difícil abrir mão delas, mesmo quando elas há muito voaram pela janela.

Sábios eles, as crianças, que se limitam a viver no agora, com toda a certeza do que em cada momento é a prioridade para o seu bem-estar e manifestando-o com clareza.

«Ah e tal, mas ele não tem contas para pagar, não dá valor ao dinheiro».

Justamente! Um dia ele pagará as suas contas e espero que quando esse dia chegar ele consiga manter o mesmo discernimento cru e simples que tem hoje: o seu tempo é valioso, o seu bem-estar também. O resto é acessório. Tudo o resto.

E talvez isso o ensine a fazer melhores escolhas do que eu, no que respeita àquilo em que opta por investir. O seu tempo, claro está.

Porque o resto é acessório (não tinha já dito isto?).

À noite quando cheguei a casa, perguntei ao Martim o que mais tinha gostado do dia com o pai.

Adivinham a resposta? Isso mesmo. A ida ao cinema.

Definitivamente… Não foram dez euros para a rua.

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One thought on “Dez euros para a rua (?)

  1. Também já aconteceu por estes lados, numa festa de natal da empresa, no coliseu, era a segunda vez que ia à festa e nem a meio da primeira parte chegou. Mas depois disse que tinha adorado o que tinha visto.

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