Esta é a história da minha t-shirt (o cabelo do Miguel e o raio dos palpites)

Introdução

Esta é a história da minha t-shirt.

E para a introduzir pergunto: quem nunca teve vontade de dar um bom chega para lá num palpiteiro de plantão e dizer ‘poupe nos palpites que a mãe sou eu’?!

Eu sou muitas vezes acusada de ser ‘senhora da razão’ e, talvez porque isso tenha qualquer coisa de verdade, sou pouco tolerante a palpites não solicitados.

Sou ainda mais intolerante quando o tema são os meus filhos e é muito difícil apanhar-me a fazer ‘sorrisos amarelos’ nessas ocasiões. São meus, porra! Que mania de haver sempre um doutorado naquilo que se passa na minha casa e, muitas mais vezes do que consigo contar, no meu colo!

Mas o pior é quando os palpites passam a transgressões expressas da vontade dos pais.

Posso dizer-vos que foi de uma dessas transgressões que nasceu a minha t-shirt.

Sério.

Continuem comigo…

O cabelo do Miguel

Pouco depois do Martim completar um ano cortámos-lhe, pela primeira vez, o cabelinho. Guardei-o todo. Aqueles caracóis lindões de cabelo sedoso de bebé.

Claro está que nunca voltou a tê-los e muitas vezes dei por mim a suspirar por ter, talvez, cortado o cabelo dele cedo demais.

Com o Miguel decidi que não queria cair no mesmo ‘erro’. Só que o cabelo do Miguel não tem caracóis lindões. É só… louco. Muito louco. Comprido nuns sítios, inexistente noutros.

Mas ele também é um louquinho e por isso, mesmo perante investidas recorrentes do Mário para lho cortarmos, finquei pé e gritei aos quatro ventos que ninguém tocaria no cabelo louco do meu bebé ainda mais louco.

Disse-o ao Mário, vezes sem conta. Disse-o à minha irmã quando brincou ameaçando que iria buscar uma tesoura sem eu dar por nada. Disse-o vezes sem conta à minha mãe sempre que ela insistia no discurso do ‘coitadinho, que tem o cabelo nos olhos’.

Um belo dia de manhã o Mário pergunta-me: o que aconteceu ao cabelo do Miguel?

Ele tinha vindo de casa dos meus pais já a dormir no dia anterior, de pijama vestido e de gorro na cabeça, por isso, quanto a mim, não tinha acontecido nada.

Mas aconteceu.

Aconteceu a minha mãe decidir, não só por mim como contra mim, dar uma tesourada na franja do Miguel. Bem torta, bem rente à testa, para ter certeza que cabeleireiro algum no Universo poderia consertar. Bem às escondidas. Bem… mal.

Da raiva ao papel, do papel ao algodão

Fiquei furiosa.

Fiquei furiosa muitos dias.

Furiosa a ponto da insónia.

Ainda fico, um pouco, quando penso que não vou guardar o primeiro cabelo cortado do meu bebé, porque alguém decidiu passar-me por cima e fazer o que entendeu melhor para ele quando não tinha que entender coisa nenhuma.

Bolas, não me interessa o que acham melhor para os meus filhos! Só há duas pessoas cuja opinião pesa quanto a isso: a minha e a do pai. Fim.

Na noite da insónia peguei no telemóvel (ainda antes da regra modo avião) e escrevi ‘a mãe sou eu’.

Mas o telemóvel não é sensível à raiva como uma caneta a pressionar o papel…

Por isso no dia seguinte quando me apanhei de papel e caneta em punho escrevi novamente ‘a mãe sou eu’. Em minúsculas, em maiúsculas. Em hastag.

Mas porque é que as pessoas não guardam para si o que pensam que é melhor? Porquê? Porque raio não poupam nos palpites que ninguém lhes pediu? Nas acções que ninguém lhes encomendou?

E fui escrevendo…

No final sobrou o que lêem na minha t-shirt.

‘Poupe nos palpites
#amãesoueu’

Apeguei-me rapidamente à ideia de passar a mensagem sem falar.

Daí a procurar uma empresa que estampasse o meu apelo desesperado para eu ostentar sem ter que ser (demasiado) desagradável com ninguém foi um piscar de olhos.

E cá está ela.

Esta é a história da minha t-shirt.

Gostam?

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O bem multiplica-se – o abraço

 

Hoje recebi um abraço tão genuíno e inesperado que a minha disposição mudou por completo.

***

O meu dia começou péssimo.

Desde logo porque começou ontem.

O Miguel dormiu mal e choramingou de hora a hora.

Alternou com o Martim que foi chamando para ir à casa de banho, para o ir ‘tapar bem’, para o ir tirar da cama porque às 6h30 já tinha dormido o suficiente.

Claro está que não tinha. Nem ele… nem eu.

O que complicou substancialmente a nossa manhã. Houve birras, lágrimas, soluços, dores de cabeça, uma falta monumental de paciência e toda aquela amálgama de coisas sobre as quais já escrevi tanto que quase já não tenho contexto para linkar todos os posts que fiz a propósito (por isso que se lixe o contexto, podem ‘apanhar o fio à meada’ aqui, aqui e aqui).

Mas depois veio aquele abraço, tão espontâneo, despoletado por um gesto meu que qualquer um consideraria uma patetice.

Olhando as coisas com frieza, é tão fácil distribuir bem-estar. O bem não tem que ter a forma de doações regulares à Unicef ou participações assíduas nas campanhas do Banco Alimentar.

O bem não tem que assumir o porte dos grandes gestos, como adoptar uma criança ou saldar todas as dívidas dos nossos pais.

Não me interpretem mal, todo esse bem é BEM. Só quero dizer que há bem ao nosso alcance por todo o lado. No detalhe das coisas que, de tão corriqueiras, já não vemos.

Nas vezes em que mostrámos o caminho a alguém em vez de apenas o indicarmos. Nas ocasiões em que deixamos passar alguém à frente na fila por puro bom senso e não porque a lei obriga. Nas alturas em que nos oferecemos para carregar metade dos sacos de alguém visivelmente aflito com o peso.

Pequenas coisas.

A minha patetice de hoje fez com que alguém se sentisse apreciado. O abraço com que fui retribuída pode bem ter salvo a minha segunda-feira.

Se abrirmos os olhos ele está lá, por todo o lado, para o fazermos, quase sem esforço, e é justamente aquele que nos sabe melhor.

O bem multiplica-se.

 

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5 coisas onde NÃO gastar dinheiro quando grávidas do primeiro filho

Chegamos a uma idade (cof cof) em que temos sempre alguma amiga grávida.

Neste momento, tenho quatro, três delas do primeiro filho. Inevitavelmente, muitas das nossas conversas giram em torno da gravidez, dos bebés que aí vêm e de tudo o que eles vão precisar.

Ou será que não vão?

Houve tantas, tantas coisas em que gastei dinheiro e hoje, à distância, não só do tempo, mas sobretudo do segundo filho, vejo que foi mal gasto…

Querem ver? Deixo-vos cinco.

Cinco coisas onde não vale a pena gastar dinheiro quando estamos grávidas do primeiro filho

Trio

Gastei uma batelada de dinheiro no i-move da chicco. O Mário gozou-me (e a si próprio) por meses, dizendo que o carro do bebé era o Ferrari dos carros de bebé e que valia mais do que o dele (e era verdade, como viemos a descobrir quando trocámos o carro dele por um que desse para o povo todo).

A alcofa? Nunca a usei. Nem uma única vez.

A cadeira de passeio? Meia dúzia só para auto-justificar a dinheirama que tinha gasto naquilo.

E, na verdade, pensem bem, gravidinhas: quantas destas cadeiras de passeio, quantas destas alcofas vêem por aí na rua, no shopping e em todos esses lugares onde se cruzam com bebés em carrinhos e nos quais agora reparam como falcões?

A verdade é que, depois de se livrarem do fardo que é carregar o bendito ovo (e são todos tããão jeitosos para carregar), vão querer um carrinho leve e fácil de conduzir. Um pequenino carrinho bengala ou um ultra dobrável que caiba em qualquer canto e que dê para levar sem esforço a qualquer lado sem terem que fazer como nós e terem que comprar uma bagajeira, isto é, um carro novo, para albergar uma estrutura base monstra e uma cadeira de passeio tão grande quanto.

Em suma, mais vale queimarem dinheiro. Ou darem-mo (sem pressão).

Quanto a mim, se fosse hoje, teria comprado esta maravilha:

(vende-se pelo menos no Eurekakids, no Sítio do Bebé, na Loja dos Bebés e também já vi ofertas no OLX – sim, já namorei muito este queridinho, mas gastei tanto dinheiro num trio que não uso, que agora não tenho cara de gastar nem mais um tostão em locomoção para bebés).

Baloiços, espreguiçadeiras e outros monos

Quem diz baloiços e espreguiçadeiras diz ginásios XPTO e tudo o que acham que vai ser óptimo para entreter o bebé enquanto fazem outras coisas… Não vai acontecer. Não comprem a menos que percebam, depois de o terem nos braços que o vosso é ‘desses’ e que vocês são ‘dessas’. Sim, ‘desses’. O espécime raro de bebé que vai estar ok com a ideia de não estar em cima de vocês o tempo todo. E sim ‘dessas’, o espécime raro de mãe que não vai querer o bebé o tempo todo em cima de si (por muito que suspiremos por um banho demorado ou por uma ida à casa de banho sozinhas, a verdade é que, durante meses tudo o que fazemos sozinhas depois do nascimento de um primeiro filho acaba por ser com o coração nas mãos e contando os segundos para voltar para ele).

Ocupam demasiado espaço (até na garagem ou no quartinho dos fundos, onde vão acabar) e são demasiado caros para serem comprados às cegas.

De nada.

(em alternativa podem sempre depositar o valor correspondente na minha conta, sem pressão).

Intercomunicadores/Monitores de bebé

Estes, em rigor até têm alguma utilidade: quando acordarem pela enésima vez a meio da noite a ouvir o choro em duplicado do vosso bebé, podem sempre destressar atirando-os contra uma parede.

Esperavam algo mais entusiasmante? Não tenho. Perdoem-me.

A verdade é que, a menos que vivam numa mansão ao estilo Kardashian (e nesse caso todo o post é perfeitamente inútil) não vão precisar de intermediário nenhum para ouvir quando o vosso bebé ‘chamar’. O alcance daqueles pulmõezinhos… não é coisa pouca. Não substimem.

Quando tivemos o Martim morávamos num T2.

Quando tivemos o Miguel morávamos num T3.

Hoje moramos numa casa em que é possível eles dormirem enquanto nós estamos dois andares abaixo.

Em todas as nossas moradas, qualquer deles se fez (e faz) ouvir perfeitamente.

Não gastem dinheiro. Dêem-mo (mas sem pressão).

Esterilizadores

Sim, também comprei um.

Depois fui a uma aula de preparação para a parentalidade como o meu enfermeiro guru, de quem já vos falei aqui e aprendi esta…

Pensem numa coisa inútil para se comprar… ‘Esterilizadores’ não vos vem à cabeça? Devia!

Nada em nossas casas é estéril. Pelo que nada que esterilizemos se manterá esterilizado pelo tempo suficiente a ir nesse estado para as bocas dos nossos bebés: nem chupetas, nem tetinas de biberão, nem a sola dos nossos sapatos que eles vão lamber sempre que tiverem oportunidade, nem os pelos do cão que vão encontrar sabe Deus onde para comer, nem os blocos sanitários deixados pelo anterior proprietário das vossas casas. Nada.

Acresce que os biberões podem ir à máquina de lavar loiça e saem de lá como? Isso mesmo: estirilizados!

Os esterilizadores são pouco mais que um placebo para as nossas ansiedades de recém-mãe. A boa e velha panela com água fervida uma vez por dia (ou dia sim dia não, ou com a frequência que precisarem para apaziguar essas mesmas ansiedades) faz o serviço perfeitamente e sai tão mais barata (em princípio toda a gente já tem uma).

Em suma: poupem espaço no armário ou, se quiserem mesmo muito um esterilizador, posso vender-vos o meu (viram como arranjei outra forma de me darem dinheiro?).

E por último temos…

Roupas de recém-nascido

‘Pronto, é desta que paro de seguir este blog! Mas esta tipa andou com os bebés nús?!’

Calma…

Esta não é por uma questão de inutilidade mas antes de abundância.

Roupa de recém-nascido é aquela coisa que tooooda a gente acha fofinho, tooooda a gente gosta de ver e tooooda a gente vai oferecer, porque é fácil de agradar, é necessária e, convenhamos, nos dias que correm, já é bastante em conta.

Sucede que eles não vestem tamanho 0/1 meses ou 50/52cms durante muito tempo e o rácio entre o que têm e o que conseguem usar torna-se impossível.

Levante a mão quem das mamãs que nos lêem acabou com roupas ainda com etiqueta na gaveta, a vestir algo uma vez só e de propósito para a foto de agradecimento a quem tão generosamente ofertou a peça ou a rezar para que o bebé molhasse o babygrow só para poder usar tudo aquilo que tem!

Eu sei que não conseguem ver, gravidinhas de primeira viagem, mas toda a gente tem o braço no ar.

A sério, é muuuito difícil resistir, mas tirando uma ou outra coisa de que gostem mesmo muito, apontem para roupinhas de tamanhos maiores (mas não muito maiores porque nunca se sabe a que velocidade o vosso bebé vai crescer e não convém desfazar os tamanhos das estações em que precisarão de os usar).

Em suma: não gastem dinheiro. Alguém vai gastar por vocês (recuso-me a encerrar esta lista em modo ‘pedinte’).

***

Dito isto, sei, caras pessoas grávidas e seus companheiros, que vão ignorar olimpicamente este post e comprar à louca na mesma, porque ‘cada caso é um caso e o vosso pode ser diferente’.

Eu digo: é uma questão probabilística e a probabilidade é que não seja muito diferente ou que não seja diferente em algo que não se possa remediar rapidamente depois de rebento nascer, mas… Também digo: eu faria o mesmo. É o vosso primeiro filho. Se podem, permitam-se. Permitam-se tudo o que a vontade vos ditar e tirem prazer de cada segundo dessa antecipação gostosa que nos percorre o corpo sempre que compramos algo a pensar no nosso bebé. É bem possível que essa sensação valha cada cêntimo (economicamente) desperdiçado.

E se fosse comigo? – essa tal ‘empatia’ de que se fala

‘Empatia’ parece ser a nova palavra de ordem em todas as situações, seja nas relações interpessoais mais próximas, seja nas mais distantes, como aquelas que desenvolvemos online, quase sem querer, quando, por exemplo, comentamos um post de alguém.

Pedem-se exercícios de empatia com os nossos filhos perante birras, com os nossos cônjuges perante divergências (que, às vezes, não deixam de ser birras também), com os nossos pais que, enquanto avós fazem mil e um disparates aos nossos olhos. Mas também se pedem exercícios de empatia com a vítima de assédio sexual no trabalho, ou de violência doméstica em casa, com o preto em situações de racismo, com a mulher gorda em situações de gordofobia (sim, existe), com @ homossexual em situações de homofobia.

E porque, quando públicos, os exercícios de empatia se pedem essencialmente em questões que envolvem as denominadas minorias, ‘empatia’ é uma palavra que vem sendo conotada com orientações políticas de esquerda e taxada com o rótulo pejorativo do politicamente correcto. Por esse motivo, não faltam cada vez mais pessoas fartas de não se ‘poder dizer nada’ e que reviram os olhos a qualquer simples miragem da palavra, seja em que contexto for.

Mas o que é, afinal, essa tal empatia de que tanto se fala?

Comecemos pelo básico: o dicionário. E, de acordo com o dicionário, empatia é uma ‘forma de identificação intelectual ou afetiva de um sujeito com uma pessoa, uma ideia ou uma coisa’.

É. O dicionário não mente. Todavia, quando assimilamos ‘empatia’ a ‘identificação’ não podemos cair na tentação de achar que a identificação que está na base da empatia implica concordância.

Não implica.

De todo.

O que implica é que paremos para pensar, dois segundos que seja ‘e se fosse comigo?’. Só isso.

‘Só’. Mas um ‘só que pode ser demasiado para algumas pessoas.

Porque quando nos questionamos sobre o que sentiríamos quando colocados nas exactas circunstâncias da pessoa que temos à frente já sabemos a resposta. E a resposta nem sempre vai de encontro aos nossos ideais e, pior, aos comportamentos que exteriorizamos. O que é, naturalmente, muito desconfortável.

Quando nos perguntamos coisas como:

«E se fosse eu a receber diariamente olhares estranhos e comentários maldosos apenas por andar de mão dada com o meu cônjuge na rua?»;

«E se fosse eu a pessoa a quem é recusado um trabalho numa loja porque visto um determinado tamanho de roupa e não outro?»;

«E se fosse eu que tivesse que dividir a atenção da pessoa mais importante da minha vida, com um intruso de palmo e meio que nem sequer existia há meia dúzia de meses?»

…sabemos.

Sabemos qual é a resposta, porque elas nos surge instintivamente.

Que.

Merda.

É que a resposta traz-nos, muitas vezes, uma responsabilidade que não sabíamos que tínhamos e que, em rigor, não temos qualquer vontade de assumir.

Temos, por exemplo, que admitir que houve aquela vez em que cruzámos a estrada por um receio inexplicável de alguém de quem apenas sabíamos que tinha uma cor de pele diferente da nossa.

Temos, por exemplo, que recordar que um dia fizemos um comentário maldoso sobre a colega de trabalho com quem nunca trocámos duas palavras mas que terá, de certeza, ‘subido na horizontal’.

Temos, por exemplo, que fazer um mea culpa quanto àquela palmada que demos a um um filho tão exausto como nós, que só queria mimo e atenção.

Temos que assumir, em suma ,e com mais frequência do que gostaríamos, que somos seres humanos falhos e que, por vezes, não vermos reflectidos nos outros os nossos ideais, as nossas perspectivas de vida, as nossas posições acerca de determinado assunto ou, tão somente, o nosso estado de espírito no momento, nos leva a tratá-los com menos consideração do que aquela em que nos temos e com menos consideração do que aquela que achamos ser-nos devida pelos demais.

É por isso que devemos rejeitar a ideia de que empatia é o exercício do politicamente correcto.

Não é.

A empatia é o exercício do respeito.

Porque ‘se fosse connosco’ não nos contentaríamos com menos do que isso.

Ir aos saldos não é para todos (mas hoje foi para mim)

Foi a conclusão a que cheguei ao fim de uma manhã de saldos.

Fui ‘linda, livre, leve e solta’. À procura de coisa nenhuma, sem orçamento e com o horário de somente a minha fome para almoçar.

As lojas ainda não tinham aberto e já havia fila à porta da Pandora. Quando abriu foi uma azáfama de gente a tirar senha e a entrar. Entrei também para ver o porquê de todo o lufa lufa.

Lá dentro um homem já estava desesperado ao telefone “isto aqui tem milhares de coisas! Existe um catálogo!”

Claramente aquela pessoa foi enviada numa missão para a qual não estava preparada. E pouco passava ainda das 10h…

Ao longo da manhã vi muitas coisas numa experiência ao estilo BBC Vida Selvagem.

Bandos de adolescentes em busca do outfit perfeito para a noite de fim de ano (desculpem a referência desactualizada a um evento que já aconteceu, mas o ‘hoje’ a que o post se refere, é o dia 29, no qual foi escrito).

Grupos de amigas a separarem-se, cada uma para sua loja, com a promessa de que chamariam de imediato se vissem alguma coisa irrecusável.

Homens sozinhos encostados a postes e corrimões, aguardando suas parelhas, secretamente solidários uns com os outros e desertos por debandar, sem pechinchas nem parelha.

Pessoas desavisadas com uma ou mais crianças descabelavam-se: não conseguiam ver nada, experimentar nada, perguntar nada. Só atender às corridas, pedidos, necessidades dos miúdos.

Na Primark uma pré-adolescente contemplava umas pantufas unicórnio: ‘oh mãããeee, anda cá ver uma coooisaaaa’ (não fiquei para seguir a história, mas é a mais velha do universo, já vivida por todos nós pelo menos uma vez e, como tal, todos nós sabemos que aquela moça não teve sorte).

Na Mango, uma mulher de mãos juntas como quem reza aguardava ansiosamente pela resposta da lojista sobre um artigo aparentemente muito desejado: ‘vá lá… Prometo não chorar, como em Setúbal’, dizia ela, visivelmente inpreparada para cumprir o prometido.

Na Pull n’ Bear a fila chegava até à porta e ninguém nela parecia muito entusiasmado com a compra que estava prestes a fazer.

É… Os saldos não são para todos. Os saldos não são, designadamente:

1. Para quem não sabe ao que vai;

2. Para quem tem pressa;

3. Para quem está com crianças (desculpem, não é mesmo, eles têm a sua própria agenda e geralmente não coincide com a nossa);

4. Para quem vai demasiado focado em determinada peça;

5. Para quem, no geral, odeia ir às compras.

A boa notícia é que para todas essas pessoas existem os milagres da Internet. E um deles é o que me salva em todos os 364 dias do ano nos quais, ao contrário de hoje, não estou zen, não tenho disponibilidade e não estou por minha conta: compras online.

Mas falamos sobre isso noutra altura…

Bom 2018 a tod@s!

2018 começa assim…

Coisas que a minha passagem de ano não teve:

• Fogo de artifício

• Álcool

• Glamour

• Branco, dourado, roupa interior azul, brilhos

• Chapéus/óculos/balões alusivos ao novo ano

Coisas que a minha passagem de ano teve:

• Dois filhos com febre

• Mais uma noite mal dormida

• 2kg de camarões

• Pijama

• Um Martim feliz com os foguetes e festejos da rua

• Passas sem desejos, mas em quantidade suficiente para os preencher até 2028.

Soa a seca total, não soa? É porque foi.

Mas então… Porque é que o dia 1 deste novo ano me acordou tão cheia de esperanças, ideias, sorrisos (por detrás das olheiras)?

Porque em 2018 amanheço tendo ainda tudo o que preciso e tudo o que me faz feliz.

Porque a noite que passou não foi especial, mas a vida como a vejo hoje é.

E porque, pela primeira vez, a virada não me trouxe qualquer melancolia, nem qualquer necessidade de formular resoluções.

Sei onde estou e gosto.

Com isto, quer a vossa passagem de ano vos tenha criado memórias para a vida, quer tenha sido uma noite no meio das outras, como a minha, espero que tenha sido, acima de tudo, exactamente como escolheram passá-la.

E que assim seja também o novo ano que hoje nasce.

Um 2018 à medida de todos vós!

Sinais do Natal III – a chegada do Miguel

É até injusto o título deste post. O Miguel não é UM sinal do Natal. O Miguel é O sinal do NATAL.

Em 15 de Dezembro de 2016, faz hoje precisamente um lindo, maravilhoso, mágico e único ano, em hora de ponta, como o irmão, sem esperar o pai chegar a casa do trabalho, como o irmão, o Miguel resolveu chutar a bolsa de águas com um pouco mais de força, como o irmão, e fazer a vontade à mãe, como o irmão, ao não ‘passar do prazo’.

Com tantas coisas ‘como o irmão’, senti que, como com o irmão, ia acontecer tudo muito rápido e por isso, ao contrário do que fiz com o irmão, não fiquei a pastelar no sofá, não me arrastei para comer um lanchinho, não desfilei para o duche. Levantei-me de um salto, fiz algumas chamadas essenciais, atirei-me para o chuveiro e preparei-me para sair.

Os meus pais trouxeram-me da escola o Martim. Expliquei-lhe o que ia passar-se, que a minha ausência seria curta e por um motivo muito feliz. Vi nos seus olhos que entendeu. Ele, porque é o melhor menino do Mundo, abraçou-me e ficou bem, como sempre fica.

As dores começaram a ficar muito sérias, muito depressa. Por momentos achei que o maridão não chegaria a tempo de me levar e isso deixou-me um pouco ansiosa. Felizmente ele chegou e arrancou de mim qualquer réstia de maus sentimentos, tão desnecessários nessa hora. Lá fomos para o Hospital Garcia de Orta, casa que viu nascer também o Martim.

Mas homem não sabe o que é uma contracção forte. Não sabe. Se soubesse, homem não perguntava à sua mulher com contracções fortes, enquanto conduz na bela estrada esburacada deste país, se vira à direita ou segue em frente. Se soubesse, homem não interpretava a falta de resposta como um incentivo para pedir mais qualquer coisa do tipo «aperta a minha mão uma vez para ‘frente’ e duas para ‘direita’». Se soubesse, homem não confundia o apertão que levou na mão com uma resposta. Não. Jamais. Mas homem não sabe. E por isso o meu preocupado marido fez esse papelão no carro a caminho do hospital. Hoje à distância, rio-me do grau de desorientação a que é levado um quase pai. Na hora… Bom, nem por isso.

Já no hospital recebi o retorno mais desejado que alguma vez tive relativamente a uma chamada feita e não atendida. O meu enfermeiro/guru/Deus Bruno Rito – o melhor enfermeiro parteiro à face da Terra e só não do Universo porque não consta que o Universo tenha face – disse-me o que eu queria ouvir, no mais perfeito dos timings: estou por aqui, vou buscar-te (grávidas que me lêem, podem – e devem – conhecer este anjo na Terra aqui, aqui e sobretudo, aqui, onde dá os seus cursos de preparação para a parentalidade).

Após avaliação, como antevia, constatou-se que o trabalho de parto já estava avançado e fui encaminhada para o Bloco de Parto. A bênção da analgesia epidural chegou pouco depois e também um pouco fora dos critérios (mais uma vez, tenho tudo a agradecer ao Enf. Bruno Rito pelo silêncio conivente e solidário que permitiu que me fosse administrada a epidural já ‘fora de horas’).

A dor morreu para deixar nascer o meu bebé. A partir daí foi tudo muito, muito rápido. Ou, pelo menos, foi assim que o percepcionei. Num piscar de olhos o Mário estava perto de mim e eu alternava entre o banco de parto – onde queria ter o meu filho – e a marquesa, para permitir que o Enf. posicionasse o Miguel da forma mais favorável possível. Num instante, tinhamo-lo nos braços, forte, grande e a fazer-se ouvir, cheio de vitalidade.

Eram 19h24 quando me tornei mãe pela segunda vez. Honestamente, foi como se fosse a primeira. Porque é única a sensação de olhar nos olhos aquela pessoinha com quem conversámos baixinho durante nove meses e que durante nove meses foi a nossa companhia permanente, para o bem e para o mal. Foi agridoce. Tinha-o finalmente nos braços, mas nunca mais moraria dentro de mim. Pelo menos, não literalmente.

O meu monstrinho chegou a dez dias do Natal. Trouxe presentes para o mano, como quem pede desculpa por todos os colinhos da mãe que já lhe havia roubado até aí e por todas as partilhas forçadas que ainda virão, mas não precisava. O Martim é, desde o momento em que conheceu o irmão, o mano mais velho mais orgulhoso do Mundo.

Mas melhor do que tudo: trouxe-se de presente para nós, lindo, saudável.

E hoje é o dia dele. Do meu anúncio de um Natal para sempre perfeito.

Dele e nosso com ele, tal como no primeiro momento.

Sinais de Natal II – uma nova bola na árvore

Cá por casa poucas coisas anunciam a chegada do Natal como a compra de uma nova bola, representativa do nosso ano.

Tudo começou quando, em 2012, prestes a passar o nosso primeiro Natal juntos, quis espicaçar um pouco do romantismo do meu hoje marido e lhe pedi que me surpreendesse com um enfeite original para a nossa primeira árvore de Natal em conjunto.

Ele ficou aflito, como fica sempre que lhe peço algo sem lhe dar grandes parâmetros. Tem medo de não corresponder à expectativa que já me cansei de explicar que não tenho.

Naquele caso, só queria mesmo que ele perdesse um tempo a escolher algo com significado para ele, logo, para nós.

Quando me ofereceu a primeira bola da fotografia que ilustra este artigo, com uma foto de nós dois dentro ainda não sabia que estava a criar uma tradição na nossa família (composta de nós dois na altura).

Achei enternecedora a escolha, pendurei-a com o maior carinho num lugar bem destacado.

No ano seguinte chegou o Martim para nos acabar de felicidade e achámos que o seu primeiro Natal nas nossas vidas tinha também que ter lugar na árvore.

Desde então cada Natal chega uma bola nova e já lá vão seis.

Afeiçoei-me muito ao simbolismo de fechar cada ano relembrando os momentos felizes da nossa família, cada vez maior.

Afeiçoei-me também ao bom prenúncio de começar um novo ano com o compromisso de criar momentos como aqueles.

O improviso do meu marido encurralado por um pedido meu tornou-se um dos meus sinais de Natal preferidos.

Agendas para que vos quero? – Cinco motivos para as preferir em papel

Perguntar-se-ão – e bem – que tara é esta que tenho com agendas físicas em plena reinado de tudo o que é digital e desmaterializado.

Começo por confessar, a tara é mesmo isso: uma tara. Não por agendas em particular, mas por material de papelaria em geral. Perco-me por agendas, notebooks, canetas, lápis, borrachas, dossiers e tudo o que seja fofinho o suficiente para tornar a minha secretária mais amigável.

Quanto às agendas em papel é, contudo, um pouco mais do que só uma tara pessoal. Deixo-vos, por isso, cinco (bons) motivos para arrumarem os vossos dispositivos digitais na hora de assentar compromissos e lembretes.

  • Memória de peixe

O problema universal das mães. A minha memória era perfeita antes de ter o Martim. Per-fei-ta.

Parte substancial dela voou com a chegada dele e parte substancial da que restou voou também com a chegada do Miguel. Resultado? Mau, muito mau. Tão mau que um dia deste perguntei ao meu marido numa tarde de Sábado, se já era Domingo. Tão mau que me esqueci já por duas vezes de pagar a conta da água. Tão mau que… Bom, já perceberam a ideia.

Neste triste contexto que passou a ser o meu, o telemóvel fica muitas vezes para trás na hora de sair de casa (se leram este post, não é difícil entender porquê). Mas a mala não. É demasiado grande para me esquecer dela. E é aí que entra a agenda em papel. Só sai da mala para anotar o que é preciso e é para lá que volta, o que torna bastante mais difícil ser atraiçoada pela minha nova (e fraca) memória.

Agendas em papel 1 – dispositivos digitais 0 (pelo menos no meu caso…)

  • São giras (muito mais giras do que qualquer telemóvel)

Esta nem carece de argumentação.

Cada vez há agendas mais giras e com maior variedade. Com ou sem personalização. Vários tamanhos. Vista diária ou semanal. Uma miríade de surpresas no interior: autocolantes, frases motivacionais, links interessantes, páginas livres para notas soltas (como temas para posts, por exemplo), listas pre-feitas para os presentes de Natal, as compras do mês ou o que entenderem… Enfim, as possibilidades são, arrisco dizer, quase ilimitadas.

Já viram as da Mr. Wonderful? Talvez já, que a marca é bastante conhecida e, apesar de ter o seu ponto de venda principal online, também podemos encontrá-la em alguns pontos físicos (como na Fnac). Mas existem outras marcas, portuguesas, por sinal, mortinhas por satisfazer todos os desejos do vosso imaginário e que talvez não conheçam ainda. Convido-vos eu então. Espreitem só – porque gosto muuuuuiiiito de ambas – as vastas ofertas da Kasefazem, da Rosa com Canela e, claro, da Girly Things e digam-me se é possível resistir…

  • São bem mais do que ‘to do lists’

Quem tem por hábito utilizar agendas em papel sabe do que estou a falar. Sempre as usei para organizar a minha vida profissional, que depende em larga escala do bom cumprimento de prazos judiciais, mas quando comecei, em 2014 a utilizá-las também para minha organização pessoal percebi que eram muito mais do que apenas notas sobre tarefas que têm que ser concretizadas. Já olharam para agendas antigas? São quase álbuns de fotografias em letras…

2014 e 2015 foram os dois anos pelos quais se dividiu a organização do meu casamento. 2016 esperei, ansiosamente, a chegada do Miguel. Abrir estas agendas e rever todos os planos é revivê-los com uma nostalgia boa.

Não. agendas em papel não são apenas ‘to do lists’. São pequenas máquinas do tempo para quem até nem gosta ou não tem tempo para ir anotando memórias.

  • Não avariam nem ficam sem bateria

Admito que o meu primeiro argumento sobre os frequentes esquecimentos do telemóvel em casa possa não ter convencido aqueles para quem os seus dispositivos electrónicos são uma extensão do próprio braço (conheço bem essa realidade, casei com um exemplar dessa espécie).

Mas sejamos honestos, quantas vezes perderam um compromisso, falharam um telefonema ou esqueceram aquele e-mail que queriam ter mandado tendo a certeza absoluta que o tinham apontado na agenda do outlook/telemóvel/tablet? Porque acharam que tinha gravado, mas afinal não. Porque gravaram mesmo, mas o equipamento falhou a gravação. Porque têm agendas sincronizadas e a sincronização não funcionou. Porque a bateria faleceu para além de ressuscitação possível e não há power bank no Mundo vá poder substituir o bom e velho carregador de fio no momento.

Sejam quais forem as razões dos vossos desgostos com agendas digitais, eles desaparecem com agendas em papel. Além de que… Já mencionei quão mais giras são? Se calhar já e a minha memória de peixe não me deixa lembrar…

  • Algumas podem ser oferecidas

Este é, na verdade, um ‘não motivo’, uma pequena armadilha para vos recordar que ainda está a decorrer o nosso passatempo e que podem ser vocês @ feliz contemplad@! Já participaram?

 

Bom fim-de-semana!!!

As meninas dão mais dores de cabeça (?) – uma reflexão sobre modelos de educação

Ouvido um dia destes no ginásio, um futuro pai comentando que vai ter mais um menino:

«Ainda bem! As meninas dão mais dores de cabeça.»

Fiquei a matutar naquela afirmação tão corriqueira, tão banal, tão ouvida milhares de vezes. Porquê? Porque é que se assume que as meninas (ou que os meninos, para quem tenha a crença inversa) dão mais dores de cabeça?

Não estarão as ditas dores de cabeça, exactamente e apenas onde a expressão indica, isto é, na nossa cabeça? E não serão essas ‘dores’ que já trazemos connosco – chamemos-lhes assim ao invés de preconceitos – que condicionam as diferenças com que acabamos por educar meninos e meninas, muito mais do que as diferenças pretensamente existentes entre géneros nos condicionam a nós?

É verdade que eu não tenho essa experiência. Por aqui são dois meninos, zero meninas. Mas sei que, se algum dia vier a ter uma menina os valores que lhe quero passar, as liberdades e as responsabilidades que quero que tenha presentes serão as mesmas que tento hoje incutir nos meus M’s. Não digo que não haja diferenças entre meninos e meninas. O que digo é que as diferenças que relevam para qualquer que seja o modelo de educação que queiramos implementar na nossa família não derivam do sexo à nascença, tanto quanto derivam da personalidade de cada um. Deve ser essa a bússola norteadora das diferenças com que eventualmente tratamos cada um dos nossos filhos.

Li por aí, por sinal num blog de que gosto muito, que cada irmão é um filho único. É nisso que acredito. Cada um dos nossos filhos, mais do que menino ou menina, irmão mais velho, mais novo ou algures do meio, é um indivíduo diferente dos demais. Merece ‘atendimento personalizado’ por parte dos pais, que são, afinal, quem melhor o conhece e o seu melhor esforço em adaptar o modelo de educação que escolheram às suas características únicas, específicas, especiais.

Liberdade para se construírem, destruírem e reinventarem. Ferramentas para que possam fazê-lo com conhecimento, por opção e em consciência. Noção de que as suas escolhas acarretam consequências com as quais têm que viver e estrutura emocional para serem bem sucedidos nessa tarefa por vezes tão difícil. É este o quadro no qual quero que os meus filhos cresçam. Todos. Mas o quadro é isso mesmo: um quadro. Um conjunto de directrizes mais ou menos genéricas e carentes de concretização a cada dia, em cada caso e para cada um deles. E delas.

Como mãe, não quero ficar presa às expectativas que inevitavelmente construí para os meus filhos, sejam elas em função do que acredito hoje que são os seus talentos naturais, sejam em função dos exemplos que os meus próprios pais me deram e que quero que eles herdem ou dos outros que quero fazer questão de não repetir, sejam em função de algo tão de detalhe como o sexo de cada um.

Tomara antes eu poder estar à altura das deles.

Em conclusão, diria que as ‘dores de cabeça’ associadas àquilo que pré-determinamos que os nossos filhos devem ser com base em factores que lhes são externos, como a idade, o género, o ranking da escola em que andam, o seu signo astrológico ou o que for, nascem e crescem na nossa cabeça. E é exactamente onde devem morrer.

De preferência, sem que eles cheguem a dar por isso.