Mariana, Maria, Mafalda – A Mafalda

Reparei, sentada no espaço da Mariana (de quem vos falei anteontem aqui) e enquanto apreciava o quanto é extraordinária, que a minha vida tem muito mais M’s do que aqueles com quem vivo. M’s no feminino. Todas me trazem nada mais do que bem-estar e felicidade e não são as mulheres mais evidentes – mãe, irmãs, amigas – que nos vêem à cabeça quando pensamos nisso. Não sei se elas o saberão e, como tal, nesta semana que antecede o Natal, quero agradecer-lhes. Termino este set de histórias com a da Mafalda.

A Mafalda

A Mafalda foi um vendaval na minha vida. Este ano, com 33 anos, finalmente percebi-me, compreendi-me, perdoei-me, sarei as feridas que tinha comigo, segui em frente. A Mafalda ajudou-me a fazê-lo.

Não é preciso conhecer-me há muito tempo para já me ter visto com qualquer peso entre os 60kg e os 86kg. A facilidade com que ganho e perco peso, para o bem e para o mal, sempre me acompanhou. Os meus problemas de imagem e auto-estima, claro está, também. Sempre fui estupidamente bem sucedida com qualquer dieta com que me comprometesse e estupidamente mal sucedida a manter os estrondosos resultados que sempre consegui atingir.

Certo dia o facebook sugeriu-me a Mafalda e eu comecei a segui-la. Muitos de vós provavelmente conhecê-la-ão pelo seu trabalho como actriz em Portugal e com o nome Mafalda Pinto. Hoje a Mafalda adoptou o nome de casada, Rodiles, vive no Rio de Janeiro (que inveja!), é mamã da Mel e, agora, do recém-nascido Martim (também ela vive rodeada de M’s bons) e assumiu publicamente que não é mais actriz. O seu trabalho a tempo inteiro hoje é, justamente, ajudar mulheres como eu, a reencontrarem-se.

Depois de um pequeno workshop online resolvi dar um beijinho sentido ao meu dinheiro e dizer-lhe adeus. Comprei o curso dela ‘Seja feliz sem dietas’. Aqui para nós, e como ela já partilhou algumas vezes com as suas alunas, o curso deveria apenas chamar-se ‘Seja Feliz’. Comprei o curso a pensar que ia aprender sobre mudanças de hábitos alimentares, truques para alcançar o peso pretendido e rotinas para mantê-lo.

Foi tão mais. A Mafalda dá-se ao trabalho de conhecer profundamente cada uma das suas alunas, entender todo o seu background e curar a sua relação com a comida exactamente onde ela começou a correr mal. Exactamente onde começámos a castigar-nos, comendo, a compensar-nos, comendo, a distrair-nos, comendo, a descarregar os males da vida, comendo.

Aprendemos que, por muito que alcancemos aquele nosso ideal de corpo perfeito, nunca estaremos satisfeitos com ele porque o peso nunca foi o problema. Aprendemos a identificar os problemas e a resolvê-los lidando com eles da forma que eles devem ser tratados, em vez de os tapar com comida só para suportar mais um dia.

Acabo o ano uma pessoa muito diferente daquela que o iniciou. Não estou (ainda) no meu peso ideal. Continuo a esforçar-me para o alcançar, mas aprendi a respeitar o ritmo do meu corpo e a arte tão simples de comer quando tenho fome e parar quando estou satisfeita, algures perdida (por mim e por tantas outra mulheres) enquanto cresci.

O curso acabou há meses, mas ainda nos falamos. Gosto de saber dela e ela de mim. Trocamos ideias sobre muitas coisas e o pontapé de saída para o Entre M’s foi também uma das nossas conversas. Apesar de já lhe ter dito muitas vezes o quanto a minha postura perante a vida mudou por causa dela, não podia deixar que este ano terminasse sem assinalar devidamente esse facto.

Mafalda, o teu trabalho muda vidas. Mudou a minha. Sou (final e genuinamente) feliz comigo. Obrigada.

(se quiserem saber mais sobre o programa ‘Seja feliz sem dietas’ podem encontrar toda a informação no site ou entrar em contacto com a Mafalda pelo facebook).

 

Mariana, Maria, Mafalda – A Maria

Reparei, sentada no espaço da Mariana (de quem vos falei ontem aqui) e enquanto apreciava o quanto é extraordinária, que a minha vida tem muito mais M’s do que aqueles com quem vivo. M’s no feminino. Todas me trazem nada mais do que bem-estar e felicidade e não são as mulheres mais evidentes – mãe, irmãs, amigas – que nos vêem à cabeça quando pensamos nisso. Não sei se elas o saberão e, como tal, nesta semana que antecede o Natal, quero agradecer-lhes. Hoje é a vez da Maria.

A Maria.

Quem acompanha o Entre M’s sabe que este post já andava prometido há algum tempo. A Maria não é nenhuma novata no Entre M’s. Já a mencionei aqui e aqui.

Conheci-a quando decidi engravidar do Miguel. Vinha insatisfeita com a actividade física que tinha praticado na gravidez do Martim, muito por medo. Na consulta de planeamento e em resposta às minhas questões sobre exercício na gravidez fui aconselhada a manter o nível de exercício que praticasse há pelo menos três meses antes de engravidar para não ‘chocar’ o corpo.

Decidi, assim, que queria intensificar ao máximo o ritmo para poder, durante a gravidez, mantê-lo.

Comecei à procura de uma PT para me ajudar. Sim, uma. Queria uma mulher. Alguém que não tivesse cerimónias com as desculpas que eu viesse a tentar dar mas que pudesse também, de uma forma instintiva, colocar-se no meu lugar.

Conheci a Maria e a nossa empatia foi quase imediata. Percebi-lhe uma garra que a mim me faltava, uma enorme preocupação em perceber as minhas motivações e em desenhar um plano realista para chegar aos meus igualmente realistas objectivos. Nunca o ‘personal’ de ‘personal trainer’ fez tanto sentido.

Temos trabalhado juntas desde então. Às vezes treinamos juntas também. Ela faz-me ver o lado aventureiro da vida e eu partilho com ela o lado mais filosófico. Tem apenas menos cinco anos do que eu, mas estamos em lugares tão diferentes da vida que eu a vejo como uma super-atleta, super-mulher, suprasumo das suprasumos e ela me vê também como uma super… mamã.

Engravidei em menos tempo do que esperava e durante 38 semanas o Miguel  ‘treinou’ connosco (a prova disso está neste vídeo de mim enorme, no nosso último treino pré-parto). A Maria foi das primeiras pessoas a conhecer da existência do meu MigueLindo e ele tornou-se o seu ‘bebé fit’. Hoje, é também ela que me ajuda a regressar ao meu estado pré-Miguel (e embora a balança mo negue, eu sei e vejo que já o superei). Combinamos bem. Somos ambas ‘zen’. Apesar do nosso contacto ser bastante focado na tarefa que nos uniu, conto com ela como com uma amiga.

Os treinos, apesar de cuidadosamente programados podem ser alterados assim que ela me vê. ‘Hoje não me pareces muito bem, vamos fazer um treino mais leve’. Outras, praticamos pequenas metas – coisas que podem ser tão simples como entrar e sair de uma passadeira em movimento ou saltar para uma box (um pequeno trauma meu), mas que, uma vez conquistadas, me deixam com uma sensação de quase heroísmo muito satisfatória.

Mais importante que tudo isto, creio que nunca poderei agradecer-lhe o suficiente o gosto que plantou em mim pelos treinos. A hora de ir ao ginásio tornou-se terapêutica. A superação é constante e é um lugar que me ajuda a esvaziar a cabeça e a reorganizar as ideias.

O Mundo é um lugar melhor depois de um treino. Por muito que doa no corpo, a alma vem sempre mais leve.

Obrigada Maria, por me ajudares a parecer-me como me sinto e por me tirares as rugas de preocupação que te levo sempre do escritório.

(o facebook da Maria já está mais do que espalhado pelo blog, mas não custa relembrá-lo. Aqui fica novamente.)

Mariana, Maria, Mafalda – A Mariana

Reparei, sentada no espaço da Mariana e enquanto apreciava o quanto é extraordinária, que a minha vida tem muito mais M’s do que aqueles com quem vivo. M’s no feminino. Todas me trazem nada mais do que bem-estar e felicidade e não são as mulheres mais evidentes – mãe, irmãs, amigas – que nos vêem à cabeça quando pensamos nisso. Não sei se elas o saberão e, como tal, nesta semana que antecede o Natal, quero agradecer-lhes.

A Mariana

A Mariana é cabeleireira e maquilhadora e tem um salão na Costa de Caparica.

Quando me casei com o Mário, casei-me também com a Mariana e nunca mais a deixei.

Explico. Quando comecei à procura de tudo o que se procura quando se planeia um casamento – e eu planeei o nosso sozinha – houve algo que sempre soube: quem trataria do meu cabelo e maquilhagem no grande dia.

Não. Eu não conhecia a Mariana, mas uma das minhas melhores e mais antigas amigas é, também, uma amiga comum e o seu próprio casamento foi a montra perfeita para os serviços da Mariana.

Estava decidido antes mesmo de eu ter que decidir.

A Mariana não é só uma profissional admirável. A Mariana é uma mulher admirável. Trabalha por paixão e não foge das dificuldades.

A Mariana também é mãe de um menino maravilhoso. Mas, trabalhando por conta própria, não pôde gozar uma licença de maternidade como as trabalhadoras por conta de outrém.

Descobri que queria escrever sobre ela quando, há uns dias, cheguei na hora marcada e encontrei-a à porta do salão, a despedir-se do filho.

“Vá amor, vai para casa com o papá, a mamã tem que ir trabalhar.”

Nesse momento, a Mariana deixou de ser só ela e diante dos meus olhos vi todas as mães que, como ela, abdicam de tempo precioso com os seus filhos para trabalhar, para construir algo de que se orgulhem também enquanto pessoas.

Às demais não posso oferecer grande consolo, mas à Mariana, que me atende sempre com um sorriso e tem possivelmente o único salão do Mundo com a TV ligada na VH1, renunciando ao flagelo dos programas matinais e pós jornal das 13h, posso agradecer.

Posso dizer-lhe três coisas. 1. És fantástica no que fazes; 2. Não há cliente difícil que não consigas satisfazer; e 3. Tornas sempre o meu dia (e a minha auto-estima) um pouco melhor.

Os teus sacrifícios valem a pena. Obrigada.

(Se quiserem conhecer um pouco mais do que aquelas mãozinhas são capazes – a resposta é ‘tudo’ já agora – podem entrar em contacto com ela através do facebook ou do instagram).