Uma camisola nova – (des)amor de mãe

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Não se deixem enganar pelo título. Apesar de se referir, literalmente, a uma camisola nova, a mensagem não tem nada a ver com roupa e tudo com bem-estar.

No fundo, o que quero dizer é (e perdoem se o trocadilho resultar mal conseguido): uma mãe não é um trapo. E não deve, seguramente, sentir-se como um.

Eu sei, eles nascem e o mundo passa a girar em torno das necessidades deles, do choro deles, das conquistas deles, da saúde deles, do mimo deles e da felicidade que nos dão e do tempo que nos tomam. Mas o tempo tem uma característica engraçada: ele não pára. E o que sucede é que o tempo vai passando e a mãe não dorme. E também não come (ou não se lembra de ter comido). Ou come alarvemente (porque tem cinco minutos enquanto eles não reparam que há comida na jogada e vêm a abrir e a fechar a boca quais peixinhos, ver o que há para eles). E o peso da gravidez tarda em ir embora e a mãe sente-se feia. E sendo assim, nem se atreve a insinuar alguma intimidade com o companheiro. Muito menos a comprar roupa que sirva a sua actual forma. Comprar roupa de gorda? Jamais!

(Prometo que ainda vai haver uma camisola nova neste post)

Então a mãe, que se recusa a aceitar as suas esperançosamente provisórias olheiras e o seu esperançosamente provisório corpo, não tem, por outro lado, qualquer dificuldade em aceitar, pacificamente, a ideia de que, além de tudo, também não é mãe o suficiente.

Para um aspecto tão mau «ao menos» que a quantidade de boa mãe que há em si compensasse. Mas nããããoooo… Os miúdos nem sempre tomam banho todos os dias e há sempre roupa deles por lavar/passar/arrumar/vestir/tirar… Conseguem visualizar a espiral de destruição que a mãe faz abater sobre a sua auto-estima? Eu consigo. Pela minha experiência, normalmente termina com um ‘coitadinhos…’ e muitas lágrimas à mistura.

E é por isso, porque conheço tão bem a mãe, que a convido a parar de chorar e olhar atentamente para os ‘coitadinhos’ à sua frente. De olhos arregalados e uma mãozinha estendida em direcção à sua cara para a consolar. Estão limpos. Estão vestidos. Estão bem alimentados. São saudáveis. E estão a borrifar-se para tudo isso.

Porque eles são felizes, mãe. E tudo o que querem é ver a mãe feliz também. Porque mães felizes têm mais paciência para brincar e eles sabem disso.

Então mãe, com olheiras ou sem elas, a vestir o velho 38 ou o novo 42, atreve-te a sentir-te bonita. Atreve-te a veres-te ao espelho e a lembrares-te que há mais em ti do que só ‘a mãe’. A mãe também é gente. E a mãe não se mima há tempo de mais.

Vai. Compra uma camisola nova. Do teu tamanho. Não será, prometo, «roupa de gorda». Será a tua roupa. E vai ficar-te bem, mãe. Vai ficar-te bem, mulher.

(Viram? Eu disse que havia uma camisola nova na história)

 

Esta é a minha camisola nova, comprada pelo face (ver marca de água). É um L.

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