Brinquem e deixem brincar

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Aos meus filhos:

Sejam princípes, sejam reis. Ou princesas e rainhas que, honestamente, tanto me dá.

Sejam mecânicos, padres, bailarinos, cozinheiros, bombeiros, locutores de rádio, professores, pais, taxistas, enfermeiros, assistentes de bordo, guardadores de camelos, pintores de unicórnios, fazedores de pino profissionais…

Sejam o que vos deixar a vossa imaginação e aproveitem a perfeição de tudo quanto não vos é ainda imposto por convenções sociais.

Ponham o batom da mãe e usem ganchinhos, calcem galochas no Verão e combinem com calções de banho e uma boina de lã.

Molhem-se, sujem-se, rebolem-se (só não se magoem… demasiado, vá).

Meçam forças, troquem argumentos. Resolvam os vossos diferendos de crianças egoístas a aprender a partilhar.

Inclusivamente, não partilhem o vosso brinquedo favorito, aquele que não querem mesmo ver cuidado, amado, mimado por mais ninguém. Bolas, todos temos direito a um afecto especial!

Entendam que tudo é relativo, que quase tudo é ultrapassável. A mãe e o pai ajudam, é só gritar por nós.

Riam. Chorem. As duas coisas ao mesmo tempo, que às vezes é do que dá vontade.

Ajudem a mãe com a roupa, o pai com a loiça do jantar. A mãe com a montagem do móvel novo, o pai a limpar a garagem.

Mascarem-se fora do carnaval.

Façam sopas de areia molhada e folhas caídas e misturem-nas carinhosamente com uma colher feita de raminhos soltos.

Tenham amigos imaginários, conversem com o ursinho de peluche, embalem-no.

Aninhem-se no nosso colo e aprendam ideias novas de jogos nos vossos bonecos preferidos de sempre (desse dia).

Brinquem!

Ao que quiserem, como quiserem, pelo tempo que quiserem. Descubram-se no infinito da fantasia antes que a vida vos aconteça.

Aos adultos que os rodeiam:

Deixem-nos fazê-lo sem censuras nem juízos prévios.

É só disso que eles precisam.

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