As 1001 noites (adaptado aos tempos modernos)

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O Martim sempre foi relativamente fácil de adormecer… Até ter um irmão.

Quer dizer, ele continua a ser fácil de adormecer, mas o pouco que exige de nós, perante a existência de um Miguel que não sabe o que é ter sono, por vezes é demasiado.

Desde que dormem os dois no mesmo quarto tenho experimentado várias dinâmicas:

  • História improvisada para o Martim, colo para o Miguel.
  • História lida para os dois, os dois nas suas camas.
  • Canções para o Miguel embalado ao colo, que o Martim canta também até adormecer.
  • Dizer ‘dane-se!’ e eles que se arranjem… (e voltar 2 minutos depois para ‘terminar o trabalho’).
  • Deixá-los adormecer, esporadicamente, à vez na minha cama (ou os dois, se estiver sozinha).
  • Colocar o Miguel na cama, obrigando-me a ficar pendurada lá para dentro para lhe dar as duas (!) mãos enquanto vou pedindo silêncio ao Martim e informo que o dia terminou.

Enfim… Já perceberam a ideia. Ou a falta delas!

E eu também percebi, à custa de 1001 noites de resistências, ora de um ora de outro, pelos mais variados motivos.

Até que há exactos quatro dias descobri a pólvora quando, por mero acaso, me sentei no pequeno sofá que fica entre as camas dos dois, do lado que fica mais próximo da cama do Martim e com o Miguel sentado ao meu colo (e não deitado).

O Martim estava particularmente conversador e eu deixei-me levar… Quando dei por mim, o Miguel tinha adormecido, sentado, tal como estava.

No dia seguinte repeti a dose e no seguinte também.

Funciona.

E eu consigo perceber perfeitamente porquê (o que torna estúpido o facto de ter demorado tanto tempo a chegar a esta solução).

O Martim precisa da minha atenção individida durante um tempo: ao sentar-me ao seu lado a conversar, de igual para igual, sobre as nossas curiosidades e sem cronómetro, é exactamente o que ele obtém.

Já o Miguel precisa de acreditar que não está a ser adormecido porque, na cabecinha dele, o descanso não é uma necessidade: quando o sento no meu colo, desistindo de o convencer a fechar os olhos, ele desiste de lutar.

E eu… Até podia ir mais cedo para a cama. Mas descobri que também me acalma a mim conversar com um enquanto abraço o outro, sobre temas que não me preocupam em nada.

Olhando, acredito que pareça um quadro de uma simplicidade atroz.

Ninguém diria que levámos cerca de 1001 noites a chegar até aqui…

Mas no fim do(s) dia(s) (literalmente) o que importa são os finais felizes.

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