‘Amigo Pai Natal’ – A carta

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Lá em casa andamos a resistir à abertura da época festiva. Por um lado, a sala está tão bagunçada que não consigo visualizar espírito natalício que não vá, apenas, adicionar confusão.

Por outro, vêm-me à memória o tanto de voos picados que fiz para agarrar pinheiros de natal cadentes quando o Martim, embora um pouco mais velho, tinha a destreza do Miguel e metade da malícia (lá está a maldição do segundo filho em acção).

Mas hoje… Hoje foi dia de escrever ao Pai Natal.

Aquelas letrinhas tortas e copiadas do texto carinhosamente escrito pela educadora ou pela auxiliar da sala mostram-me mais do que desejos de Natal. Até porque, aqui para nós, aquele menino tem tantos brinquedos que não é nada daquilo que ele quer. Na verdade, a única coisa de que ele precisa para brincar feliz é de um de nós a olhar para ele, a brincar com ele, a incentivá-lo quando chuta a bola, a perguntar sobre os desenhos que faz, a elogiar quando completa sozinho um puzzle.

A carta mostra-me outra coisa: o meu menino a crescer.

O primeiro Natal do Martim foi um sofrimento para os dois. Tinha dois meses e os cheiros, a quantidade de pessoas a pegar-lhe, o barulho, foi tudo demais para ele. Acabámos escondidos num quarto. Ambos exaustos (valeu-me um providencial prato de bacalhau à frente).

No seu segundo Natal o Martim ainda não entendia o que era. As luzes eram engraçadas e puxar os ramos do pinheiro era a actividade favorita.

Com dois anos, além das luzes, os presentes apareceram, por magia, aos seus olhos. Ainda não eram muito importantes. Mas rasgar papéis coloridos e ter coisas novas era entusiasmante. Esteve bem disposto com os primos e riu muito.

No ano passado o Natal já foi um Natal de crianças. A ansiedade, a contagem decrescente com o calendário de advento, a família, os desejos de Natal… Ajudou-me a decorar a casa com afinco e mostrou, orgulhoso, a sua participação a todos quantos entraram lá em casa nessa época.

Este ano… É tudo isso e mais. Este ano há uma carta. Uma expressão (escrita, imagine-se!) da(s) sua(s) vontade(s). O Martim já não é um bebé. É um menino. Quantos anos mais acreditará no Pai Natal? Quantas mais cartas escreverá?

Não sei. Mas esta convenceu-me: mesmo com bagunça, mesmo com um pequeno elfo terrorista presente, a nossa casa vai, sim, encher-se de Natal.

Enquanto é tempo.

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One thought on “‘Amigo Pai Natal’ – A carta

  1. É lindo ver toda a inocência de uma criança transcrita numa carta ao Pai Natal… farei o mesmo com o meu menino quando ele tiver idade! É mágico e o Natal é para eles! :’) Felicidades e um Excelente Natal!

    ummaisum-tres.blogspot.pt

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