Adormecer – o deles e o meu

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O Martim sempre foi uma cobaia de independência.

O que quero dizer com isto? Que raras vezes dormiu na minha cama, passou algumas horas a chorar na dele, tinha três meses quando deixou de dormir no nosso quarto (já não mamava e acordava pouquíssimo durante a noite) e foi habituado a adormecer deitado na cama dele, ainda que com companhia.

Em suma, uma parte de mim achava que ‘uma vez dependente, sempre dependente’ e quis desde cedo quebrar esse suposto ciclo. Isto, durante a noite, porque durante o dia sempre dormimos longas sestas juntos.

Com o Miguel as coisas são um pouco diferentes. Respeito mais o ritmo de cada um deles e não tenho grandes pressas. Afinal de contas, pressa para quê, se caminhamos todos na mesma direcção?

Na verdade, e da mesma forma que o irmão, raras foram as vezes que o Miguel dormiu na nossa cama. Mas já não por imposição nossa (vá, minha). Ele é que, genuinamente, dorme mais confortável na cama dele (foi aliás também esse o motivo porque passou a dormir no quarto com o irmão, ao invés de colado à minha cama, já com mais de seis meses).

Mas o Miguel adormece ao meu colo todas as noites e eu não tento que seja diferente.

É um facto que às vezes me sinto capaz de cortar um mindinho para mergulhar na minha cama o mais rapidamente possível mas, mesmo nessas noites, o Miguel adormece ao meu colo. E mesmo nessas noites eu não tento que seja diferente.

Foram precisos dois filhos para eu aprender a apreciar o momento em que eles adormecem. O Martim com um abraço apertado e uma história, lida ou inventada, o Miguel ao meu colo.

Não tem preço aquele primeiro longo suspiro de quem está totalmente seguro e descansado.

Não têm preço as respirações profundas dos dois.

E não tem preço a tranquilidade com que eu própria adormeço depois de os adormecer a eles, sem pressas e sem tentar que nada seja diferente do que é.

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