A mulher que não sabia parar

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Prelúdio

Esta é uma história que me foi contada na sua forma verídica e que passei a contar em termos mais abstractos a várias pessoas que me são queridas.

Num ou noutro momento das nossas vidas todos nós já nos vimos assoberbados pelas circunstâncias, pela lista de afazeres que não diminui, pelas exigências do dia-a-dia.

E nessas alturas… É preciso saber parar.

Esta é, por isso, uma história fictícia… mas não muito.

Era uma vez

Havia uma mulher que trabalhava numa clínica.

Trabalhava muito. Trabalhava por turnos. Trabalhava sem parar.

Era pouco reconhecida e muito cobrada.

A mulher começou a sentir algumas dores mas, ainda que trabalhando numa clínica, não sobrava tempo para ir ao médico.

O tempo passava… Mas as dores não. A mulher então consultou a chefia no sentido de tirar alguns dias para fazer todos os exames adequados.

A chefia riu-se da sua moleza, disse-lhe que havia muito trabalho e não podia dispensá-la naquela altura.

A mulher acedeu e seguiu trabalhando, dia após dia, com dores.

Até que elas se tornaram insuportáveis.

E a mulher decidiu fazer frente à chefia e ao seu próprio sentido de obrigação: era preciso parar. Era preciso tratar-se do que quer que causasse as dores. Era preciso melhorar antes de voltar a escravizar-se à custa do tempo em família, das noites passadas longe de casa, dos dias corridos pouco vendo os filhos.

E então a mulher foi e fez todos os exames há tanto tempo adiados.

A mulher morreu pouco depois. A mulher tinha um cancro que lhe foi diagnosticado tarde demais.

A mulher, quase literalmente, matou-se a trabalhar.

 

E agora pergunto

Quem irá aquela mulher ajudar agora?

Quem será mãe para os seus filhos, filha para os seus pais, mulher para o seu marido?

Quão boa profissional é ela neste momento?

Em suma: valeu a pena?

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One thought on “A mulher que não sabia parar

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