Fevereiro é para…

Pular Carnaval

Beber água de côco

Comer biscoito Globo em Copacana

Desfilar na Sapucaí

Gritando a nação tijucana

Subir no morro

Descer no bondinho

Pedir a bença pro Cristo

Amar no jardim botânico

Se aventurar no Telégrafo

E ser boémio na Lapa

Trazer o Rio no corpo

e para sempre no coração.

***

Sonho de menina esse, de ir cariocar. Fevereiro é para cumprir.

O balão – quem ri por último…

Era uma vez um balão.

Verde, chegou-nos numa caixinha de lembranças de aniversário e lá foi ficando, enquanto os doces desapareciam, até sobrar, sozinho e esquecido.

Semanas depois o pequeno balão verde foi notado pelo Martim.

Ponto de situação: Martim com pressa de brincar com o balão, Miguel com sono, mãe a tentar adormecê-lo.

Mãe, sensata, adverte o pequeno de que será prudente esperar que o mano adormeça, caso queira brincar descansado e com total exclusividade com o balão do fundo da caixa.

Sem sucesso, e perante insistências várias, mãe cede e sopra o pobre balão, não sem avisar que não vai, por uma vez que seja, interferir na brincadeira e que terão, manos, que encontrar soluções satisfatórias para ambos.

Ponto de situação: Miguel de olhos arregalados para o balão já esperneia para descer do colo, enquanto um Martim desconfiado se afasta com o dito cujo nos braços.

Estou certa de que tudo teria funcionado na perfeição não fosse Miguel ter apenas um ano e não ter qualquer vontade de se expressar por palavras.

Martim de balão nas mãos. Miguel chora copiosamente.

O balão cai, feliz, por ser finalmente objecto de desejo e disputa.

Miguel apanha-o do chão e foge. Martim, magnânimo, dá-lhe uma colher de chá e deixa-o brincar. Mas aquela comichão que não o larga e que alguns, maldosos, apelidarão de ciúmes, fá-lo cair no pranto queixoso pouco depois.

Miguel, espantado pelo espectáculo distrai-se, e vê o balão ser-lhe arrancado das mãos.

Claro está, Miguel chora, Martim ri, mãe rói-se para não dizer nada, como prometido (leia-se ‘ameaçado’).

Ponto de situação: ‘rio eu e choras tu, agora trocamos’ numa sequência infinita.

Até que…

Em câmara lenta o pequeno balão verde, lançado ao ar, começa mais uma trajectória descendente. Os jogadores preparam-se para a contenda: Martim acocorado ao nível do irmão, mantém os olhos no prémio. Miguel, ao seu estilo ‘couldn’t care less’, olha para o tudo e para o nada.

Balão toca no chão, por mero golpe de sorte, aos pés do bebé distraído.

Ao sentir-se tocado, o Miguel abre o seu melhor sorriso…

este:

E joga-se para cima do balão.

Martim sente a perdida próxima e joga-se em simultâneo, sem medos.

Porque as leis da física não perdoam, o resultado é o que se adivinha: ‘PUM!’

Era uma vez um pequeno balão verde, esquecido por semanas, disputado por minutos, defunto em segundos.

Ponto de situação: Martim? Chora a plenos pulmões. Miguel? Chora como se o mundo estivesse no fim. Mãe? Mãe desmancha-se a rir à gargalhada!

Porque quem ri por último…

Quem ri por último aguenta os dois no colo, de buzina ligada por dez minutos e apanha os restos mortais da brincadeira.

Que remédio…

O bem multiplica-se – o abraço

 

Hoje recebi um abraço tão genuíno e inesperado que a minha disposição mudou por completo.

***

O meu dia começou péssimo.

Desde logo porque começou ontem.

O Miguel dormiu mal e choramingou de hora a hora.

Alternou com o Martim que foi chamando para ir à casa de banho, para o ir ‘tapar bem’, para o ir tirar da cama porque às 6h30 já tinha dormido o suficiente.

Claro está que não tinha. Nem ele… nem eu.

O que complicou substancialmente a nossa manhã. Houve birras, lágrimas, soluços, dores de cabeça, uma falta monumental de paciência e toda aquela amálgama de coisas sobre as quais já escrevi tanto que quase já não tenho contexto para linkar todos os posts que fiz a propósito (por isso que se lixe o contexto, podem ‘apanhar o fio à meada’ aqui, aqui e aqui).

Mas depois veio aquele abraço, tão espontâneo, despoletado por um gesto meu que qualquer um consideraria uma patetice.

Olhando as coisas com frieza, é tão fácil distribuir bem-estar. O bem não tem que ter a forma de doações regulares à Unicef ou participações assíduas nas campanhas do Banco Alimentar.

O bem não tem que assumir o porte dos grandes gestos, como adoptar uma criança ou saldar todas as dívidas dos nossos pais.

Não me interpretem mal, todo esse bem é BEM. Só quero dizer que há bem ao nosso alcance por todo o lado. No detalhe das coisas que, de tão corriqueiras, já não vemos.

Nas vezes em que mostrámos o caminho a alguém em vez de apenas o indicarmos. Nas ocasiões em que deixamos passar alguém à frente na fila por puro bom senso e não porque a lei obriga. Nas alturas em que nos oferecemos para carregar metade dos sacos de alguém visivelmente aflito com o peso.

Pequenas coisas.

A minha patetice de hoje fez com que alguém se sentisse apreciado. O abraço com que fui retribuída pode bem ter salvo a minha segunda-feira.

Se abrirmos os olhos ele está lá, por todo o lado, para o fazermos, quase sem esforço, e é justamente aquele que nos sabe melhor.

O bem multiplica-se.

 

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“Mãe que é mãe” – Ode às mães perfeitas

Mãe,

Tu que vives cansada,

Olheirenta,

Que te culpas pelo tempo que passas no trabalho,

E pela má gestão que fazes dele,

Que não te lembras da última vez que entraste num cabeleireiro:

Tu és perfeita.

Mãe,

Tu que és descolada e carregas três meninos e dois sacos de compras em saltos altos,

Que preferes acordar de madrugada do que sair de casa sem maquilhagem,

Tu que adormeces com a culpa de que talvez ‘penses demais em ti’:

Tu és perfeita.

Mãe,

Tu que reclamas cooperação do pai,

Mas não deixas que ele te substitua em nada porque, afinal ‘ele não sabe tão bem’,

Que assumes os dias, as noites, os banhos, as refeições, o veste e despe, o transporte para cá e para lá,

Tu que carregas a culpa de sempre ser quem faz por eles e nunca quem faz com eles,

Tu és perfeita.

Mães,

Tu que saíste ontem à noite com as amigas e te sentiste culpada;

E tu, que perdeste a paciência pela manhã e te sentiste culpada;

Tu que os mantiveste entretidos com o tablet para apreciar um pouco de silêncio e te sentiste culpada;

E também tu que te compraste uns sapatos novos em vez do brinquedo que eles pediram e te sentiste culpada:

Perfeita. Perfeita. Perfeita. Perfeita.

Todas perfeitas.

“Mãe que é mãe” faz uma coisa só: o melhor que pode.

E o melhor que pode é perfeito.

Sabem o que não é perfeito? A culpa.

A ela podem mandá-la embora.

***

Costumava pensar que odiava mães perfeitas, desde logo, porque não existiam. Porque a fasquia que nos impunham era inatingível. Depois descobri que somos nós que criamos essa fasquia. Que quem não existe é ela. E que perfeitas…

Perfeitas somos todas.

5 coisas onde NÃO gastar dinheiro quando grávidas do primeiro filho

Chegamos a uma idade (cof cof) em que temos sempre alguma amiga grávida.

Neste momento, tenho quatro, três delas do primeiro filho. Inevitavelmente, muitas das nossas conversas giram em torno da gravidez, dos bebés que aí vêm e de tudo o que eles vão precisar.

Ou será que não vão?

Houve tantas, tantas coisas em que gastei dinheiro e hoje, à distância, não só do tempo, mas sobretudo do segundo filho, vejo que foi mal gasto…

Querem ver? Deixo-vos cinco.

Cinco coisas onde não vale a pena gastar dinheiro quando estamos grávidas do primeiro filho

Trio

Gastei uma batelada de dinheiro no i-move da chicco. O Mário gozou-me (e a si próprio) por meses, dizendo que o carro do bebé era o Ferrari dos carros de bebé e que valia mais do que o dele (e era verdade, como viemos a descobrir quando trocámos o carro dele por um que desse para o povo todo).

A alcofa? Nunca a usei. Nem uma única vez.

A cadeira de passeio? Meia dúzia só para auto-justificar a dinheirama que tinha gasto naquilo.

E, na verdade, pensem bem, gravidinhas: quantas destas cadeiras de passeio, quantas destas alcofas vêem por aí na rua, no shopping e em todos esses lugares onde se cruzam com bebés em carrinhos e nos quais agora reparam como falcões?

A verdade é que, depois de se livrarem do fardo que é carregar o bendito ovo (e são todos tããão jeitosos para carregar), vão querer um carrinho leve e fácil de conduzir. Um pequenino carrinho bengala ou um ultra dobrável que caiba em qualquer canto e que dê para levar sem esforço a qualquer lado sem terem que fazer como nós e terem que comprar uma bagajeira, isto é, um carro novo, para albergar uma estrutura base monstra e uma cadeira de passeio tão grande quanto.

Em suma, mais vale queimarem dinheiro. Ou darem-mo (sem pressão).

Quanto a mim, se fosse hoje, teria comprado esta maravilha:

(vende-se pelo menos no Eurekakids, no Sítio do Bebé, na Loja dos Bebés e também já vi ofertas no OLX – sim, já namorei muito este queridinho, mas gastei tanto dinheiro num trio que não uso, que agora não tenho cara de gastar nem mais um tostão em locomoção para bebés).

Baloiços, espreguiçadeiras e outros monos

Quem diz baloiços e espreguiçadeiras diz ginásios XPTO e tudo o que acham que vai ser óptimo para entreter o bebé enquanto fazem outras coisas… Não vai acontecer. Não comprem a menos que percebam, depois de o terem nos braços que o vosso é ‘desses’ e que vocês são ‘dessas’. Sim, ‘desses’. O espécime raro de bebé que vai estar ok com a ideia de não estar em cima de vocês o tempo todo. E sim ‘dessas’, o espécime raro de mãe que não vai querer o bebé o tempo todo em cima de si (por muito que suspiremos por um banho demorado ou por uma ida à casa de banho sozinhas, a verdade é que, durante meses tudo o que fazemos sozinhas depois do nascimento de um primeiro filho acaba por ser com o coração nas mãos e contando os segundos para voltar para ele).

Ocupam demasiado espaço (até na garagem ou no quartinho dos fundos, onde vão acabar) e são demasiado caros para serem comprados às cegas.

De nada.

(em alternativa podem sempre depositar o valor correspondente na minha conta, sem pressão).

Intercomunicadores/Monitores de bebé

Estes, em rigor até têm alguma utilidade: quando acordarem pela enésima vez a meio da noite a ouvir o choro em duplicado do vosso bebé, podem sempre destressar atirando-os contra uma parede.

Esperavam algo mais entusiasmante? Não tenho. Perdoem-me.

A verdade é que, a menos que vivam numa mansão ao estilo Kardashian (e nesse caso todo o post é perfeitamente inútil) não vão precisar de intermediário nenhum para ouvir quando o vosso bebé ‘chamar’. O alcance daqueles pulmõezinhos… não é coisa pouca. Não substimem.

Quando tivemos o Martim morávamos num T2.

Quando tivemos o Miguel morávamos num T3.

Hoje moramos numa casa em que é possível eles dormirem enquanto nós estamos dois andares abaixo.

Em todas as nossas moradas, qualquer deles se fez (e faz) ouvir perfeitamente.

Não gastem dinheiro. Dêem-mo (mas sem pressão).

Esterilizadores

Sim, também comprei um.

Depois fui a uma aula de preparação para a parentalidade como o meu enfermeiro guru, de quem já vos falei aqui e aprendi esta…

Pensem numa coisa inútil para se comprar… ‘Esterilizadores’ não vos vem à cabeça? Devia!

Nada em nossas casas é estéril. Pelo que nada que esterilizemos se manterá esterilizado pelo tempo suficiente a ir nesse estado para as bocas dos nossos bebés: nem chupetas, nem tetinas de biberão, nem a sola dos nossos sapatos que eles vão lamber sempre que tiverem oportunidade, nem os pelos do cão que vão encontrar sabe Deus onde para comer, nem os blocos sanitários deixados pelo anterior proprietário das vossas casas. Nada.

Acresce que os biberões podem ir à máquina de lavar loiça e saem de lá como? Isso mesmo: estirilizados!

Os esterilizadores são pouco mais que um placebo para as nossas ansiedades de recém-mãe. A boa e velha panela com água fervida uma vez por dia (ou dia sim dia não, ou com a frequência que precisarem para apaziguar essas mesmas ansiedades) faz o serviço perfeitamente e sai tão mais barata (em princípio toda a gente já tem uma).

Em suma: poupem espaço no armário ou, se quiserem mesmo muito um esterilizador, posso vender-vos o meu (viram como arranjei outra forma de me darem dinheiro?).

E por último temos…

Roupas de recém-nascido

‘Pronto, é desta que paro de seguir este blog! Mas esta tipa andou com os bebés nús?!’

Calma…

Esta não é por uma questão de inutilidade mas antes de abundância.

Roupa de recém-nascido é aquela coisa que tooooda a gente acha fofinho, tooooda a gente gosta de ver e tooooda a gente vai oferecer, porque é fácil de agradar, é necessária e, convenhamos, nos dias que correm, já é bastante em conta.

Sucede que eles não vestem tamanho 0/1 meses ou 50/52cms durante muito tempo e o rácio entre o que têm e o que conseguem usar torna-se impossível.

Levante a mão quem das mamãs que nos lêem acabou com roupas ainda com etiqueta na gaveta, a vestir algo uma vez só e de propósito para a foto de agradecimento a quem tão generosamente ofertou a peça ou a rezar para que o bebé molhasse o babygrow só para poder usar tudo aquilo que tem!

Eu sei que não conseguem ver, gravidinhas de primeira viagem, mas toda a gente tem o braço no ar.

A sério, é muuuito difícil resistir, mas tirando uma ou outra coisa de que gostem mesmo muito, apontem para roupinhas de tamanhos maiores (mas não muito maiores porque nunca se sabe a que velocidade o vosso bebé vai crescer e não convém desfazar os tamanhos das estações em que precisarão de os usar).

Em suma: não gastem dinheiro. Alguém vai gastar por vocês (recuso-me a encerrar esta lista em modo ‘pedinte’).

***

Dito isto, sei, caras pessoas grávidas e seus companheiros, que vão ignorar olimpicamente este post e comprar à louca na mesma, porque ‘cada caso é um caso e o vosso pode ser diferente’.

Eu digo: é uma questão probabilística e a probabilidade é que não seja muito diferente ou que não seja diferente em algo que não se possa remediar rapidamente depois de rebento nascer, mas… Também digo: eu faria o mesmo. É o vosso primeiro filho. Se podem, permitam-se. Permitam-se tudo o que a vontade vos ditar e tirem prazer de cada segundo dessa antecipação gostosa que nos percorre o corpo sempre que compramos algo a pensar no nosso bebé. É bem possível que essa sensação valha cada cêntimo (economicamente) desperdiçado.

O pesadelo

Martim

Mãe, hoje tive um pesadelo muuuuito grande.

Havia uma coruja enorme e depois estava eu e o pai e a coruja queria fazer-nos mal e eu tive muito medo.

Eu

Mas meu amor, não chamaste a mamã nem o papá… Quando tens medo podes sempre chamar a mamã ou o papá, para te darmos um abracinho.

Sabes que não deixamos que nada de mal te aconteça não sabes?

Martim

Não chamei porque eu não queria. Foi só um pesadelo.

É muito fácil: quando fico com medo, eu abro os olhinhos e ele desaparece.

***

Algo simples. Um pesadelo de criança. Uma oportunidade de confortar o nosso filho. Aquele momento agridoce em que eles não precisam de nós: ainda bem (mas nem por isso)! Quem nunca?

 

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Ginásio, mamãs? Sim, claro! Mas talvez não por ESSE motivo.

Levante a mão quem integra aquele grupo de clientes perfeitos do ginásio que nunca, nunca, nunca lá põe os pés!

Aposto que consigo adivinhar como isso aconteceu: terminou o Verão ou as festas de final de ano ou nasceu a coisinha mais linda do vosso mundo e a balança deu um grito (ou vários). Chega! Segunda-feira (é sempre segunda-feira…) começa a dieta! E o ginásio! E cá vai de procurar condições ou aderir aquela campanha que aparece, majestosa e providencial, naquelas alturas chave e que nos promete maravilhas ao preço da chuva.

O primeiro mês é maravilhoso! Frequência diária, energia inesgotável! Tirando naquele dia em que houve almoço da empresa/o bebé ficou doente/a amiga terminou o casamento… Bom, excepções. No segundo mês as excepções aconteceram com um pouco mais de frequência e entretanto a porcaria da balança vai parecendo nunca se calar, sempre ali, mal humorada, aos gritos, aos gritos. E há tanta coisa para fazer e uma pessoa esforça-se e os resultados não aparecem, apesar de só se comerem folhas de alface e de se frequentar toda a santa aula do extenso cardápio que qualquer ginásio tem para oferecer. No terceiro mês é um ‘que se lixe’ em toda a extensão. Sou gorda vou morrer gorda e dá cá esse chocolate que eu não vejo disso há demasiado tempo… E não! Não tenciono partilhar!

A ordem natural das coisas vai-se restabelecendo. O açúcar reconforta o cérebro e até parece que o nosso batimento cardíaco desacelera. A vida é um paraíso, por um momento… Mas aquela malvada daquela balança continua lá a gritar… Não faz mal, para a semana voltamos ao ginásio. Entretanto passaram seis meses e a única parte de vós que foi para o ginásio foi aquela, por sinal já bem magrinha, que habita na conta bancária…

Se calhar… Se calhar está na altura de parar e aceitar a realidade: quem faz isto não gosta de ir ao ginásio. E não me ocorre uma única razão no Mundo para que deva sentir-se obrigada a fazê-lo.

‘Ah e tal, mas eu já vi por aí que tu vais ao ginásio’, dir-me-ão. Verdade.

Desde os três anos que me habituei a praticar algum tipo de exercício físico. Fiz de tudo um pouco: natação, ginástica rítmica, equitação, karaté, aeróbica, danças brasileiras, zumba e mais recentemente frequentei toda a miríade de aulas que a maior parte dos ginásios disponibilizam – menos spinning (como eu odeio spinning!). Acostumei-me a estar activa e faz-me alguma confusão ‘estar parada’ durante muito tempo.

Mas o que é estar parada? Dar uma caminhada matinal com os miúdos ou os animais de estimação é estar parada? Não abdicar de pegar na bicicleta e ir dar uma volta algumas vezes por semana é estar parada? Fazer os seus percursos diários essencialmente a pé e utilizar o carro só em caso de excepção é estar parada? Claro que não! Actividade física não tem que equivaler a ginásio. E a actividade física que nos faz bem – sei-o hoje – é aquela de que gostamos, aquela que fazemos não porque tem que ser, mas porque somos um pouco menos nós se no-la tiram. E essa é a actividade física certa. Tudo o resto… É ruído e dinheiro ao lixo. E não… Fazer algo que odiamos de morte só para parar de ouvir os gritos da balança não vai fazer com que ela se cale. Sabem o que vai fazê-la calar-se? Deitarem-na fora (se não de facto, pelo menos metaforicamente).

A única medida de que precisam é-vos dada pelo vosso nível de bem-estar. E se calhar até não é a balança que incomoda… Se calhar é o marido que não pára de vos chamar, ainda que carinhosamente, de ‘minha gordinha’. Se calhar é aquela censura velada da tia, que sempre que vos vê pergunta que dieta estão a fazer ‘agora’ enquanto olha de alto a baixo em jeito de ‘não está a funcionar, só para que saibas’. Se calhar o trabalho está tão stressante que comer parece a única alegria na Terra. E se calhar… Se calhar são essas as coisas que precisam de ser resolvidas.

Não me interpretem mal, exercício físico é tudo de bom e adoro ir ao ginásio, até porque encontrei a melhor PT do Universo, com quem tenho a maior das empatias e que me faz apreciar cada treino e cada pequena evolução. Mas é esse mesmo o ponto: eu adoro ir ao ginásio. E claro que seria simpático terminar de perder o peso que eu sei que anda aqui a mais, mas por ‘pequena evolução’ o que quero dizer é um pouco mais de resistência, mais alguns metros em menos tempo, mais algum peso na barra, umas quantas flexões sem joelhos no chão… Desafios superados.

São essa empatia e essas pequenas evoluções que me fazem sentir bem comigo mesma. A balança tornou-se um acessório que uso de tempos a tempos para me manter informada e nada mais do que isso. Não me diz que sou perfeita, seguramente. Mas sabem que mais? Também não me diz que não sou.

E quem é ela para opinar, de qualquer maneira? Até lhe fazia bem um chá, para lhe acalmar tanto mau humor…

 

SOS: O que é que eu faço? Dias leves e nervos em franja

A sério meu povo… O que é que eu faço?

A minha vida com o Martim está uma montanha russa. Alternamos entre dias leves de puro amor, conversas longas, brincadeira e compreensão mútua e dias em que a guerra começa ainda antes dele abrir os olhos e termina comigo exausta, olheirenta e chorosa já depois das 22h.

Nesses dias ele faz de um tudo:

Reclama que não quer levantar-se. Se eu me venho embora, reclama porque não o trouxe comigo.

Reclama que não quer vestir-se ou que não quer vestir o que separei. Se o deixo não vestir-se, reclama que não o vesti. Se o deixo ir escolher outra coisa, reclama que não quer ir sozinho.

Reclama que quer tomar o pequeno-almoço com ajuda. Mas também reclama por ter que esperar 30 segundos que seja para lha oferecer.

Reclama a semana toda porque quer levar o brinquedo X para a escola, quando só na sexta é o ‘dia do brinquedo’. Quando chega a sexta, reclama porque quer levar outro qualquer, ou porque quer que o carregue eu, ou que vá eu buscá-lo.

(substituam ‘reclama’ por ‘faz a maior birra do Universo’, porque é assim mesmo, só não quis escrevê-lo tantas vezes, que até isso já me arranha a alma).

Hoje mesmo adverti-o, ao vê-lo ‘destruir’ um brinquedo, de que podia fazer o que quisesse, mas que eu não iria concertar, porque não tínhamos tempo nesse momento. Claro que desmontou a coisa só para pedir para eu arranjar a seguir e, obviamente, fez birra quando lhe disse que não ia fazê-lo, conforme já o tinha avisado.

Mas o pior… o pior é quando me bate. Quando me chuta para me afastar no momento de lhe vestir o pijama. Quando me atira os brinquedos que lhe pedi para não estragar vezes sem conta, mesmo eu dizendo-lhe que me está a magoar e que pare. Quando vem contra mim às cabeçadas em modo repeat enquanto insisto para que vista o casaco. Quando me dá murros na barriga despertados pela raiva de eu estar a ignorar-lhe as fúrias…

O que raio eu faço?

Não vou bater-lhe de volta. Não vou. Como referi aqui, a palmada é um recurso que vem do desespero, da perda de paciência, da exaustão mental. Não resolve o nosso problema.

Não vou distribuir amor. Não consigo conceber responder a murros com abraços e beijinhos. Ele tem que perceber que as suas acções têm consequências e que tratar mal as pessoas não gera sentimentos positivos na pessoa que ele maltrata. Inclusivamente já lhe expliquei isso várias vezes. Sucede que, em regra, nestes dias mais ‘agudos’ meia hora depois, de termos uma conversa calma, ele já está a fazer o mesmo por outro motivo qualquer, apesar de se ter mostrado profundamente arrependido e ter pedido desculpa.

Também não posso fingir que não aconteceu. Ignorá-lo enquanto me bate ou enquanto me responde coisas como ‘qual é a parte de que eu quero [inserir qualquer porcaria que vos venha à cabeça] que não percebeste?’ até pode funcionar, mas funciona de uma maneira perniciosa. Por um lado, não cessa o comportamento (e, convenhamos, não sei quanto a vocês, mas eu não curto apanhar de uma criança de quatro anos…). Por outro, fá-lo ficar cada vez mais irritado e mais criativo nas formas agressivas de chamar a minha atenção. Atendendo ao que relatei aqui e que derivou justamente de uma situação em que o ignorei, não quero arriscar.

Mas voltamos ao ‘o que raio eu faço?’

A sério… Estou realmente perdida.

Andamos nisto há pouco mais de um mês e eu estou a entrar em SOS. Nada parece acalmar o coraçãozinho agitado do meu Martim, normalmente tão sensível. E, entretanto, insiste em expressar a sua frustração da forma mais negativa que conhece…

Qual a forma que vocês considerariam adequada para lidar com estas fúrias no momento?

O que fazem quando é convosco?

Lancem-me luz, que eu estou às escuras…

(e tenham um óptimo fim-de-semana… sem birras!)

Brinquem e deixem brincar

Aos meus filhos:

Sejam princípes, sejam reis. Ou princesas e rainhas que, honestamente, tanto me dá.

Sejam mecânicos, padres, bailarinos, cozinheiros, bombeiros, locutores de rádio, professores, pais, taxistas, enfermeiros, assistentes de bordo, guardadores de camelos, pintores de unicórnios, fazedores de pino profissionais…

Sejam o que vos deixar a vossa imaginação e aproveitem a perfeição de tudo quanto não vos é ainda imposto por convenções sociais.

Ponham o batom da mãe e usem ganchinhos, calcem galochas no Verão e combinem com calções de banho e uma boina de lã.

Molhem-se, sujem-se, rebolem-se (só não se magoem… demasiado, vá).

Meçam forças, troquem argumentos. Resolvam os vossos diferendos de crianças egoístas a aprender a partilhar.

Inclusivamente, não partilhem o vosso brinquedo favorito, aquele que não querem mesmo ver cuidado, amado, mimado por mais ninguém. Bolas, todos temos direito a um afecto especial!

Entendam que tudo é relativo, que quase tudo é ultrapassável. A mãe e o pai ajudam, é só gritar por nós.

Riam. Chorem. As duas coisas ao mesmo tempo, que às vezes é do que dá vontade.

Ajudem a mãe com a roupa, o pai com a loiça do jantar. A mãe com a montagem do móvel novo, o pai a limpar a garagem.

Mascarem-se fora do carnaval.

Façam sopas de areia molhada e folhas caídas e misturem-nas carinhosamente com uma colher feita de raminhos soltos.

Tenham amigos imaginários, conversem com o ursinho de peluche, embalem-no.

Aninhem-se no nosso colo e aprendam ideias novas de jogos nos vossos bonecos preferidos de sempre (desse dia).

Brinquem!

Ao que quiserem, como quiserem, pelo tempo que quiserem. Descubram-se no infinito da fantasia antes que a vida vos aconteça.

Aos adultos que os rodeiam:

Deixem-nos fazê-lo sem censuras nem juízos prévios.

É só disso que eles precisam.

Em modo avião – a gestão do tempo e o que fica para trás

Estar em ‘modo avião’ significa, na sua forma pura, pegar nos nossos queridos dispositivos móveis e calá-los. Calar-lhes o som, o wi-fi, os dados, as mensagens e qualquer conexão com o Mundo. Transformá-los em pequenas televisões interactivas que dão as horas, no fundo…

Chamam-lhe ‘modo avião’ porque é o único local onde nos é pedido que o calemos assim: no avião.

Mas o modo avião, seja neste sentido mais fiel à origem, seja num sentido mais figurado, é útil e digno de reflexão…

Há pouco mais de uma semana o Mário fez uso de um vale retirado de um caderninho que lhe ofereci num Dia dos Namorados e que nos proibia, durante uma semana, de mexer nos telemóveis, mal nos deitássemos.

Durante essa semana, sem telemóveis, reparei nos dias que se passavam antes sem quase olharmos um para o outro, conversarmos um com o outro ou o que quer que seja um com o outro.

Vamos acreditando que não. Que é cansaço, que os dias são curtos, que os miúdos nos dão imenso trabalho. E tudo isso é verdade.

Mas o facto é que, com tudo isso, eu consigo escrever neste espaço, gastar tempo à procura de fotos para ilustrar os artigos, mais tempo a escrever e a aperfeiçoar os textos e muito, muito tempo à volta de questões técnicas que ignoro e abomino, porque adoro o meu blog…

O facto é que, com tudo isso, eu sacrifico três horas de almoço por semana para ir ao ginásio, porque adoro treinar.

O facto é que, com tudo isso, ainda acompanho o This is Us, mesmo que nunca tenha conseguido ver um episódio em tempo real, e alguns dos meus canais de youtube favoritos, ainda que seja enquanto trato da roupa ou qualquer outra tarefa, porque a série me causa arrepios e os ditos canais gargalhadas e introspecções.

Ou seja, com tudo isso, ainda há (ou se força) tempo para as coisas do dia-a-dia que nos dão prazer.

Porque é que num mundo em que cabem crianças e blog e ginásio e séries, não haveria também lugar – todos os dias e não só quando fazemos programas a dois – para aquele sobre quem encho o peito para dizer que é o amor da minha vida? Faz pouco sentido…

Tão pouco sentido que o vale, entretanto, expirou.

Mas o ‘modo avião’… esse veio para ficar.